Soldados disparam contra manifestantes no Bahrein

Manifestantes se ajoelham em frente a tanques do Exército, no centro de Manama, Bahrein (AP) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Os manifestantes no Bahrein pedem mudanças no regime

Forças de segurança do Bahrein teriam disparado nesta sexta-feira contra manifestantes contrários ao governo que teriam tentando voltar a ocupar a Praça da Pérola, no centro da capital, Manama, segundo testemunhas e ativistas de oposição.

Os ataques, que provocaram cenas de pânico e caos, ocorreram no mesmo dia em que os manifestantes participavam dos funerais de quatro vítimas de confrontos com a polícia nos últimos dias.

Dezenas ficaram feridos nos confrontos. Profissionais da área médica disseram que pelo menos 25 ficaram machucados.

O príncipe Salman Bin Hamad Al Khalifa, filho do rei do Bahrein, fez um pronunciamento em rede nacional de TV prometendo o início de um diálogo nacional assim que a calma volte ao país.

Khalifa, que também é o vice comandante supremo do Exército, pediu a todos os manifestantes que deixem as ruas.

Funeral

O funeral de duas vítimas – dois homens, de 20 e 50 anos – ocorreu em um bairro xiita de Manama. Os caixões foram envoltos em bandeiras do país e levados em cortejo pelas ruas do bairro.

A multidão presente gritava pedindo “justiça, liberdade e monarquia constitucional”. Alguns disseram que estavam dispostos a sacrificar suas vidas para derrubar o governo.

“Haverá violência, haverá confrontos”, disse à BBC um manifestante que se identificou como Sayed. “Bahrein está passando por um túnel escuro.”

Os manifestantes tentaram chegar a um hospital onde outros ativistas feridos estão internados. Mas, no caminho, passaram perto da Praça da Pérola - que tinha sido isolada pelo Exército, depois que os soldados expulsaram na quinta-feira manifestantes que lá estavam acampados - e aí foram atingidos.

Uma testemunha disse ao canal de televisão Al-Jazeera que as autoridades não deram aviso antes de atirar.

"Eles simplesmente começaram a atirar contra nós. Agora há mais de 20 feridos no hospital. Um rapaz morreu, foi baleado na cabeça", disse a testemunha.

'Massacre'

O mais importante clérigo xiita do país, xeque Issa Qassem, descreveu os ataques contra os manifestantes como um "massacre" e disse que o governo do Bahrein tinha fechado a porta para o diálogo.

Enquanto ele fazia seu sermão durante as orações de sexta-feira, os manifestantes gritavam "vitória para o Islã" e "morte para Al Khalifa (a família real)" e "somos seus soldados".

Na quinta-feira, os Estados Unidos pediram comedimento ao governo bairenita na reação aos protestos. O pequeno país, com menos de um milhão de habitantes, é um aliado importante do governo americano na região – é lá que fica a base da Quinta Frota Naval dos Estados Unidos, responsável por operações em uma vasta área que inclui o Golfo Pérsico e o Mar da Arábia.

Desde sua independência da Grã-Bretanha, em 1971, o Bahrein tem registrado tensões entre a elite sunita e a maioria xiita, que se diz marginalizada e reprimida.

Agora, essas tensões ganharam força em meio à atual onda de levantes nos países árabes e muçulmanos, que já levaram à renúncia dos presidentes da Tunísia e do Egito.

O uso da força militar nos protestos recentes colocou a família real de Bahrein em rota direta de confronto com os xiitas, que compõem a maioria dos manifestantes, relata o correspondente da BBC no Oriente Médio Jon Leyne.

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