Uruguai cria brigada de prevenção de incêndios com presidiários

Incêndio na cidade de La Paloma, no Uruguai
Image caption Projeto com início em Rocha será levado para outras regiões

Um grupo de presos no Uruguai começou a trabalhar nas brigadas de prevenção contra incêndios na cidade de La Paloma, no departamento (Estado) de Rocha, na fronteira com o Brasil.

O projeto utilizando presidiários será levado ainda para outras regiões do país, com os Estados de Maldonado e Canelones.

A medida faz parte do pacote de reformas na área de segurança pública que vêm sendo debatidas no país desde que o presidente José ‘Pepe’ Mujica assumiu a Presidência, em março de 2010.

No total, segundo o jornal El Pais, de Montevidéu, o governo espera usar mais de dois mil presos, com penas leves e boa conduta, em diferentes programas que tenham como objetivo prepará-los para algum tipo de trabalho quando forem libertados.

“O trabalho reabilita” é o lema do governo, informaram à BBC Brasil assessores do Ministério do Interior. O coordenador geral do Sistema de Emergências, Gustavo Leal, disse que a tarefa dos presos que vão trabalhar na prevenção contra incêndio será “a poda de árvores e melhorias nas áreas com alto risco de incêndio florestal”.

Os presos que quiserem e atenderem às exigências do governo vão trabalhar três meses, seis horas por dia, e receberão um pagamento mensal, de 3,7 mil pesos (cerca de R$ 310), que será depositado em uma poupança.

Cada um dos primeiros três grupos de presos, disse Leal, é formado por 20 detentos, entre homens e mulheres. Eles trabalharão acompanhados por agentes penitenciários.

Por cada dia trabalhado, segundo a imprensa local, o preso terá um dia a menos na cadeia. Em um censo recente, de janeiro deste ano, autoridades uruguaias constataram que o país de três milhões de habitantes tem 9.100 presos.

Profissionalização

Em janeiro do ano passado o país tinha uma população carcerária de 8.700. Mais de 60% dos presos são reincidentes, o que contribuiu para a discussão sobre a profissionalização dos detentos.

“O governo Mujica entende que eles precisam sair preparados e com uma opção de trabalho. O dinheiro também ajuda o novo início de quem sai da cadeia”, disse o assessor de imprensa do Ministério do Interior, Fernando Gil.

O diretor do Instituto Nacional de Reabilitação (INR), Eduardo Pereira Cuadra, disse ao jornal uruguaio que já existe a lista com os 2.160 presos que “poderão ser liberados” a partir de um projeto de lei que também será enviado ao Congresso, prevendo medidas para o “descongestionamento” do setor penitenciário.

A idéia de incluir os presos nas brigadas de prevenção contra incêndio é só uma das medidas na área de segurança pública.

Notícias relacionadas