Protestos contra o governo chegam à capital da Líbia

Manifestantes protestam em Benghazi Direito de imagem AP
Image caption Relatos dizem que Benghazi foi tomada por manifestantes da oposição

Os protestos contra o governo do coronel Muammar Khadafi chegaram a Trípoli, capital da Líbia, neste domingo. É a primeira vez que há manifestações na capital.

Relatos não confirmados dizem que grupos contra e pró-Khadafi se enfrentam na praça Verde, no centro de Trípoli, e que há protestos em quatro áreas diferentes da cidade.

Testemunhas dizem que gás lacrimogênio e artilharia estão sendo usados contra os manifestantes.

Na noite deste domingo, o filho de Muammar Khadafi, Saif al-Islam Khadafi, disse que a Líbia "não é o Egito, nem a Tunísia" em pronunciamento no canal de televisão estatal.

Ele disse ainda que "houve erros" por parte do exército, que "foi atacado pelas pessoas, algumas delas sob influência de drogas" e "não foi treinado para conter revoltas".

A Líbia vive dias de tensão e tumultos, concentrados especialmente no leste do país, onde a oposição ao coronel Khadafi é mais forte.

Relatos da cidade de Benghazi, no leste do país, dizem que mais de 200 pessoas foram mortas depois que o exército usou armas pesadas contra os manifestantes, que pedem o fim do governo de quatro décadas do coronel Muammar Khadafi.

Pronunciamento

Em pronunciamento na televisão estatal, Saif al-Islam Khadafi disse que "um grupo de pessoas que vive fora tentou fazer com que o país chegasse ao mesmo ponto que o Egito chegou usando a internet e o Facebook".

O filho de Muammar Khadafi disse que o país está em meio ao caos e que parte dos manifestantes faz parte de grupos islâmicos que querem dividir o país.

"A Líbia é feita de tribos e não de partidos políticos. Não queremos uma guerra civil."

Ele afirmou ainda que, durante a escalada de violência em Benghazi, "algumas poucas pessoas morreram e a violência contra a polícia aumentou", contrariando os relatos de testemunhas no local.

Khadafi disse que o número de mortes não passou de 14 e que a mídia "exagera" a situação.

Segundo o filho do coronel, as mortes aconteceram por causa de um "erro" do exército, que não estava treinado para enfrentar os tumultos, e citou relatos de soldados que teriam sido atacados por pessoas "sob a influência de drogas".

No entanto, Khadafi disse que o país teria reformas e que o regime mudaria "radicalmente" e declarou que o governo "enfrentaria os protestos até que o último homem estivesse de pé".

Controle

Manifestantes teriam assumido o controle da maior parte da cidade de Benghazi, na Líbia, após conflitos com as forças de segurança.

Segundo relatos não confirmados, um dos principais quartéis das forças do governo está nas mãos dos manifestantes, depois que um comandante do exército passou para o lado da oposição.

O correspondente da BBC no Oriente Médio, Jon Leyne, disse que também há relatos de que os protestos e os confrontos entre manifestantes e soldados estariam se espalhando por outras cidades no leste do país.

"A maior parte do leste do país parece estar, no momento, nas mãos da oposição", disse Leyne.

Correspondentes da BBC na região dizem que a erupção de protestos em Trípoli é um golpe na tentativa de Khadafi de conter os protestos no leste do país.

A Líbia é um dos vários países árabes ou muçulmanos a enfrentar protestos pró-democracia desde os levantes populares que levaram à queda do presidente da Tunísia, Zine El Abidine Ben Ali, em janeiro.

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