Britânico faz 1ª visita de chefe de governo ao Egito desde a queda de Mubarak

O premiê David Cameron e o marechal  Mohamed Tantawi, no Cairo Direito de imagem PA
Image caption Cameron defendeu 'transição genuína' no Egito

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, chegou nesta segunda-feira ao Egito, tornando-se o primeiro chefe de governo a visitar o país desde que o ex-presidente Hosni Mubarak deixou o poder, há dez dias.

Cameron se reunirá com os líderes do governo militar bem como opositores do ex-presidente.

"Esta é uma grande oportunidade de dialogar com as autoridades que estão governando o Egito com o objetivo de garantir que esta seja uma transição genuína de um governo militar para um governo civil, e para ver o que países amigos, como a Grã-Bretanha e outros países europeus, podem fazer para ajudar", disse o premiê britânico, durante o voo para a capital egípcia, Cairo.

"O que é revigorante neste processo é que não se trata de uma revolta islâmica. Não são extremistas que tomaram as ruas. São pessoas que querem o mesmo tipo de direitos básico que damos como certo na Grã-Bretanha", disse Cameron sobre as mudanças no Egito.

O premiê deve pedir a revogação das leis de emergência, que estão em poder desde a saída de Mubarak.

Riscos

O editor adjunto de política da BBC, James Landale, que viaja na comitiva de Cameron, disse que o premiê busca aproveitar uma "janela de oportunidade" para dialogar com o regime militar egípcio, mas sublinhou que a empreitada também tem riscos.

"O perigo é que a viagem seja vista como uma tentativa de dar lições a um país soberano e como a legitimação de um regime temporário, em vez de um novo empurrão em direção a reformas", afirmou Landale.

Mubarak, que governava o Egito desde 1981, deixou o poder no último dia 11, após 18 dias de intensos protestos.

A visita ocorre em meio a levantes em outros países do Oriente Médio – mais recentemente, na Líbia e no Bahrein.

Cameron disse que a resposta violenta do governo líbio aos protestos contra o regime do coronel Khadafi é "espantosa e inaceitável".

"O que está ocorrendo na Líbia é completamente espantoso e inaceitável, o governo está utilizando as piores forma de repressão contra pessoas que querem ver o progresso de seu país, um dos mais fechados e autocráticos do mundo", disse o premiê.

"Nossa mensagem tem sido consistente: a resposta às aspirações do povo que está se manifestando nas ruas deve ser a reforma, e não a opressão."

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