Hillary elogia liderança do Brasil mas não menciona apoio a vaga no Conselho da ONU

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Image caption Hillary disse que EUA admiram aspiração do Brasil de ser membro permanente no CS

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, elogiou nesta quarta-feira a liderança global do Brasil, mas evitou falar sobre um possível apoio americano à ambição brasileira de conquistar um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.

“Nós admiramos muito a crescente liderança global do Brasil e sua aspiração de ser um membro permanente do Conselho de Segurança”, disse Hillary, em entrevista coletiva após uma reunião com o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, em Washington.

“Nós esperamos um diálogo construtivo com o Brasil nessa questão durante a viagem do presidente Obama e daqui para a frente”, disse a secretária, ao afirmar que os Estados Unidos apóiam os esforços de liderança do Brasil em diversas áreas.

A menos de um mês da viagem do presidente Barack Obama a Brasília e ao Rio, há a expectativa sobre se o líder americano iria manifestar seu apoio à pretensão do Brasil durante a visita, como fez no ano passado em sua passagem pela Índia – outro país com ambições de obter uma vaga permanente no Conselho.

“Nós gostaríamos de ver os Estados Unidos se engajando em uma reforma do Conselho de Segurança que incluísse novos membros permanentes, em particular novos membros permanentes do mundo em desenvolvimento”, disse Patriota, que considerou “positiva” a posição da secretária.

“Na medida em que há um apreço pela contribuição que o Brasil tem dado ao trabalho do Conselho de Segurança, nós estamos muito bem posicionados aqui nos Estados Unidos.”

Irã

O Brasil é membro rotativo do Conselho de Segurança, do qual ocupa a presidência durante este mês. A conquista de um assento permanente é uma das prioridades da diplomacia brasileira.

No entanto, alguns analistas afirmam que a posição do Brasil em relação ao programa nuclear do Irã pode ter prejudicado a ambição brasileira.

No ano passado, divergências sobre a questão nuclear iraniana acabaram provocando um certo esfriamento das relações entre Brasil e Estados Unidos.

O Brasil votou contra a imposição de uma nova rodada de sanções do Conselho de Segurança contra o Irã, posição que provocou irritação no governo americano.

O governo brasileiro buscava uma solução negociada para a questão nuclear iraniana, evitando a aplicação de novas sanções, e chegou a obter um acordo com Teerã, ao lado da Turquia.

Esse acordo, porém, foi considerado insuficiente pelos Estados Unidos, que pressionaram pela nova rodada de sanções, provocando descontentamento por parte do governo brasileiro.

Nesta quarta-feira, Hillary disse o governo americano conversa “constantemente com os amigos brasileiros” sobre a questão nuclear iraniana e que Brasil e Estados Unidos compartilham a visão de não querer que o Irã se transforme em um Estado com armas nucleares.

Visita

Segundo a secretária, a visita de Obama, marcada para os dias 19 e 20 de março, ocorre em um momento “empolgante” para o Brasil e para as relações bilaterais.

“Vem em um momento em que estamos cooperando de maneira próxima e nosso trabalho bilateral em questões e desafios globais, incluindo segurança alimentar, direitos humanos, energia limpa e desigualdade global, é chave para ambos os países”, disse a secretária.

“Nós estamos particularmente satisfeitos que o presidente Obama vai visitar o Brasil e terá a oportunidade de falar diretamente ao povo brasileiro sobre a cooperação, parceria e amizade que existe não apenas entre os nossos líderes, mas entre os nossos povos.”

O ministro das Relações Exteriores chegou nesta quarta-feira a Washington para uma visita de dois dias em preparação à viagem de Obama.

A agenda do ministro inclui encontros com conselheiro de Segurança Nacional, Thomas Donilon, e o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, e o conselheiro de Segurança Nacional, além do presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick.

Segundo Patriota, com a visita de Obama o Brasil pretende ampliar uma “relação sólida que vem crescendo ao longo dos anos” e encontrar novas áreas para cooperação.

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