Após tremor, casal brasileiro fica só com passaporte e roupa do corpo

Angela Ragavani e Derek Piva (arquivo pessoal) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Prédio onde moram Angela e Derek foi interditado

Os brasileiros que moram em Christchurch, na Nova Zelândia, estão tentando colocar a vida em ordem depois dos terremotos que destruíram parte da cidade e alguns até já voltaram ao trabalho.

Mas, para o casal Derek Piva e Angela Ragavani, voltar à vida normal está sendo mais difícil, pois eles tiveram que abandonar o apartamento onde moram no centro da cidade só com o passaporte e a roupa do corpo.

O condomínio onde moram tem quatro prédios e todos estão interditados pela defesa civil neozelandesa. As colunas estão com rachaduras e correm o risco de desabar.

Angela e Derek passaram a noite na casa da amiga Carla Miller e na manhã desta quarta-feira tentaram chegar até o apartamento para retirar roupas e alguns pertences, mas a polícia tinha cercado a área e eles estavam sem saber se iriam conseguir entrar em casa.

O casal deve passar mais algumas noites na casa dos amigos até que os prédios estejam seguros.

O número oficial de mortos no terremoto que atingiu a cidade de Christchurch na terça-feira já chega a 75, mas ainda há cerca de 300 pessoas desaparecidas. O tremor atingiu magnitude de 6,3.

Solidariedade

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Image caption Danielli e Matthew Amstrong moram em Sydehan, a dez quilômetros do centro de Christchurch

A piauiense Danielli Amstrong, que mora em Christchurch, destaca a solidariedade dos vizinhos logo depois do terremoto.

"São amigos ajudando amigos, vizinhos ajudando vizinhos, estranhos socorrendo estranhos. (...) Nós trabalhamos fora o dia todo e quase não temos contato com os nossos vizinhos, mas hoje de manhã (quarta-feira) um (vizinho) bateu aqui na porta de casa oferecendo ajuda e perguntando se precisávamos de leite ou de um pedaço de pão."

"Isso é a coisa mais gratificante do mundo. Você vê que não está sozinho e que tem alguém preocupado com o seu bem-estar. Isso é muito importante", disse.

Danielli mora com o marido Mathew Amstrong no bairro de Sydehan, a dez minutos do centro da cidade e tirou algumas fotos do quintal de casa que está cheio de areia e da rua onde mora e onde os vizinhos estão usando até uma escavadeira para retirar a água e areia que surgiu com o terremoto.

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Image caption Terremoto causou rachaduras no chão

Esse fenômeno é conhecido como liquefação, o solo de Christchurch é arenoso e com o tremor, a areia e a água que estão no subsolo inundaram casas e ruas.

Trovão

Danielli é funcionária do hospital Princess Margareth, no centro da cidade e, na hora do terremoto, ela estava trabalhando e ajudou a socorrer alguns colegas que se feriram.

"Primeiro eu ouvi como se fosse um trovão e depois tudo começou a sacudir. As cadeiras começaram a andar, mesmo com as pessoas. Foi uma loucura. Corremos para ver quem estava machucado."

"Eu estava calma e a ajudei a minha chefe a socorrer algumas pessoas, depois ela mandou que eu descesse pra rua. Eu trabalho no 4º andar do prédio do hospital", afirmou.

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Image caption Moradores limparam a frente de suas casas com escavadeiras

Danielli chegou em casa e ligou para o marido, que trabalha próximo ao aeroporto. Naquela região, nada havia acontecido.

"Ele nem sabia que a cidade tinha sido sacudida por um terremoto."

"Depois fui ver se havia algum dano na casa. No meu quarto, a TV estava sobre a cama e a estante no chão", afirmou.

Segundo Danielli, a cidade ainda está tumultuada com os tremores secundários que toda hora assustam, mas a solidariedade das pessoas ajuda a superar os problemas. E, em sua página no Facebook, ela conta como está a situação em Christchurch.

"Dia de sorte hoje (quarta-feira), limparam toda nossa driveway (entrada do carro) com uma escavadeira, tudo já está no chão, a casa já esta parecendo mais normal... só a falta de agua que é chato pra caramba, mas, na medida do possível, estamos todos bem, a solidariedade das pessoas chega a comover, apesar de tudo eu ainda amo esse país e esta cidade!!"

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