Oriente médio

Khadafi culpa Bin Laden por protestos na Líbia

O líder líbio, Muamar Khadaf (arquivo)

Khadafi atribuiu a crise a jovens sob influência de drogas

O líder da Líbia, o coronel Muamar Khadafi, culpou nesta quinta-feira a rede extremista Al-Qaeda e o seu líder, Osama Bin Laden, pelos protestos contra o governo que estão sacudindo o país desde 15 de fevereiro.

Em pronunciamento por telefone, transmitido pela TV estatal líbia, Khadafi falou aos seus concidadãos supostamente a partir da cidade de Zawiyah (a cerca de 50 km da capital, Trípoli), onde estão sendo registrados enfrentamentos entre forças pró e contra o governo.

"Bin Laden é o inimigo que está manipulando as pessoas. Não se deixem enganar por Bin Laden", afirmou Khadafi.

"É óbvio que esta situação esta sendo causada pela Al-Qaeda. Esses jovens armados, nossos filhos, estão sendo incitados pelas pessoas que são procuradas pelos Estados Unidos e o Ocidente."

Drogas

Na última terça-feira, o coronel fez um discurso em que indicou que não pretende deixar o poder e que lutará "até a última gota de sangue".

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No novo pronunciamento, Khadafi adotou um tom mais brando e se dirigiu às famílias líbias. Ele disse que as manifestações, marcadas por uma grande participação de jovens estão sendo causadas pelo "uso excessivo de drogas".

"Voltem para as suas casas, conversem com os seus filhos", disse Khadafi. "Eles são jovens, eles estão armados, estão usando granadas, estão atacando delegacias de polícia. Isso é causado pelo uso excessivo de drogas."

O líder disse que os organizadores do protesto – “terroristas internacionais” - estão "levando os seus filhos para a morte".

"Eles não dão a mínima se o seu país (a Líbia) está sendo destruído", afirmou.

Khadafi, que está há 42 anos no poder, reagiu à pressão por sua retirada afirmando que "há líderes há mais tempo no poder" do que ele, "como a rainha Elizabeth", referindo-se à rainha Elizabeth 2º.

Povo armado

A aparição do líder líbio veio em meio a novos enfrentamentos entre forças a favor do seu regime e contra o governo, principalmente no oeste do país.

Há sinais de algumas cidades ocidentais estejam saindo do controle do governo. O mesmo ocorre em boa parte do leste do país - incluindo Benghazi, a segunda cidade mais populosa da Líbia -, que está sendo controlado pela oposição.

Trípoli continua sendo uma espécie de bastião do regime. Em Misurata, que havia sido tomada pela oposição, os relatos são de enfrentamentos pelos quais o regime procura restabelecer controle.

Em Zawiya, testemunhas disseram que forças do governo atacaram manifestantes utilizando metralhadoras e armas antiaéreas.

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Uma médica disse que havia visto dez corpos e cerca de 150 feridos.

Organizações de direitos humanos divergem quanto ao número de vítimas dos confrontos. O patamar mínimo parece ter alcançado os 300 mortos.

Testemunhas afirmam que a capital está sendo patrulhada por grupos fortemente armados a favor do governo, incluindo milícias que se deslocam pela cidade em veículos.

Há relatos de tanques em movimento nos subúrbios da cidade, assim como de invasão de residências por forças de segurança do governo, em busca de opositores.

Mas, segundo a rede Al-Jazeera, oficiais da Força Aérea líbia desertaram e se uniram aos manifestantes.

Em Benghazi, sob firme controle dos manifestantes antirregime, armas roubadas da polícia e do Exército estão sendo distribuídas para a população disposta a lutar pela derrubada de Khadafi.

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Em resposta, um porta-voz do chamado Comitê Popular para a Segurança Geral da Líbia, do lado governista, foi à TV conclamar aos opositores que devolvam armas "adquiridas ilegalmente" e prometer perdão aos que o fizerem.

O militar também prometeu recompensa aos que delatarem jovens armados atuando contra o regime e divulgou um número telefônico para denúncias.

Na quarta-feira, o filho de Khadafi, Saif Al-Islam, apareceu na TV nacional afirmando que a situação no país era "normal".

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