Cinco pessoas morrem em protestos em ‘dia de fúria’ no Iraque

Manifestantes tentam derrubar barreira de concreto em Bagdá Direito de imagem Reuters (audio)
Image caption Protestos se espalharam por diversas cidades iraquianas

Ao menos cinco pessoas foram mortas durante protestos contra o governo do Iraque nesta sexta-feira, chamada de “dia de fúria” pelos milhares de manifestantes que tomaram as ruas de diversas cidades do país.

Os manifestantes se queixam de diversos problemas, de corrupção e desemprego à falta de serviços básicos, mas não têm pedido a mudança do governo, como em outros países árabes.

Em Mosul, no norte do Iraque, ao menos três pessoas morreram e 15 ficaram feridas em confrontos, segundo uma fonte policial.

Em Hawija, também no norte, há relatos de duas mortes e 22 feridos. Também houve manifestações na capital, Bagdá, em Basra (sul do país), Fallujah (centro), Kirkuk (centro-norte) e em outras cidades menores.

Entradas fechadas

Em Bagdá, centenas de pessoas se reuniram na Praça Tahrir (mesmo nome do local que concentrou as manifestações egípcias, no Cairo, que antecederam a queda do presidente Hosni Mubarak, em 11 de fevereiro).

O correspondente da BBC Jonathan Head relata que todas as entradas de Bagdá foram bloqueadas por soldados para evitar a chegada de mais manifestantes.

Estes, em resposta, atiraram pedras contra os policiais e tentaram retirar barreiras de concreto que bloqueavam uma ponte próxima à praça.

A capital iraquiana ficou praticamente fechada após as autoridades vetarem a circulação no centro da cidade e mandarem milhares de soldados para patrulhar as ruas.

Violência

Na quinta-feira, o premiê Nouri Al-Maliki havia pedido à população que não aderisse aos protestos por razões de segurança e alegou que insurgentes da Al-Qaeda e defensores do ex-presidente Saddam Hussein (1937-2006) estavam por trás da organização das passeatas.

Há semanas os iraquianos vêm protestando contra as condições de vida no país, apenas dois meses depois da aprovação, pelo Parlamento, de um novo gabinete governamental que inclui a maioria das facções do país.

O novo governo foi formado após nove meses de impasse e paralisia política no país.

As manifestações iraquianas se inserem em uma onda de revoltas no mundo árabe-muçulmano, que já antecedeu a derrubada de Mubarak e do presidente da Tunísia e, agora, está acuando o líder líbio, Muamar Khadafi.

E, além da Líbia e do Iraque, outros países do Oriente Médio estão vivendo um dia de protestos nesta sexta-feira.

No Iêmen, a capital Sanaa foi palco de uma grande manifestação de apoiadores e opositores do governo do país. No Bahrein, milhares de pessoas participaram de uma cerimônia de homenagem a mortos em confrontos prévios no país.

Estão previstas marchas também na Jordânia e na cidade palestina de Ramallah (Cisjordânia).

No Egito, milhares de pessoas voltaram à Praça Tahrir para marcar as duas semanas desde a renúncia do presidente Hosni Mubarak e pressionar os militares – no comando interino do país – pelas reformas prometidas.

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