Enfrentamentos chegam à capital e elevam tensão na Líbia

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Testemunhas na capital da Líbia, Trípoli, afirmam que forças de segurança leais ao regime do coronel Muamar Khadafi abriram fogo contra manifestantes nesta sexta-feira.

Agências de notícia e a TV Al Jazeera falam de pelo menos dois mortos no distrito de Janzour.

A tensão vinha escalando ao longo da semana, com protestos na capital aguardados para depois das preces de sexta-feira. Segundo o site privado líbio Libyapress, os fiéis organizaram um protesto após a cerimônia religiosa e foram recebidos com violência pelas forças de Khadafi.

Mais cedo, a TV estatal da Líbia mostrava um grupo de cerca de 50 simpatizantes do governo participando de uma manifestação pró-Khadafi na Praça Verde.

Trípoli se tornou uma espécie de bastião do regime, patrulhada pelas forças especiais do governo. Nos últimos dias, testemunhas disseram à BBC que o clima na capital era de uma tensa calma e que as forças de Khadafi podiam ser vistas em toda a cidade.

Em entrevista à BBC, o especialista em Defesa David Hartwell sublinhou que as forças de segurança na capital devem estar "fortemente armadas" com tanques e artilharia.

Mais difícil é estimar o poderio das forças contra o governo, já que ninguém sabe quantas armas foram apreendidas de quartéis e delegacias tomados pela oposição nos últimos dias.

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País dividido

Os desdobramentos da crise líbia já indicavam o que vinha sendo chamada de antemão "a batalha de Trípoli".

O leste do país – onde estão cidades como Benghazi, Tobruk e Ajdabiya – permanece sob controle firme da oposição, mas o governo lançou ofensivas para tomar o controle das localidades próximas ou a oeste de Trípoli, como Zuara, Sabratha, Misrata e Al Zawiya.

Até a quinta-feira, os relatos eram de que a cidade de Al Zawiya, a 50 km de Trípoli, era palco de alguns dos mais sangrentos enfrentamentos.

Na terceira cidade do país, Misrata, a 200 km da capital, foram registrados combates pelo controle do aeroporto. Mas os relatos são que a cidade também caiu em favor dos rebeldes.

Segundo o repórter da BBC em Benghazi Kevin Connolly, os manifestantes estavam descrevendo esta sexta-feira como o "dia da partida" na Líbia. Segundo ele, os partidários da oposição estão enviando "um milhão de preces" pela queda de Khadafi.

Vítimas

A Federação Internacional de Direitos Humanos crê que pelo menos 700 pessoas podem ter morrido. Já um médico francês em Benghazi, Gerrard Buffet, disse à BBC que os combates podem ter matado até 2 mil pessoas só no leste do país.

Nesta sexta-feira, o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, em Genebra, se reunirá em uma sessão especial para discutir os desdobramentos da crise líbia – a primeira vez que o órgão discute a possível adoção de ações contra um de seus membros.

A comissária de Direitos Humanos, Navi Pillay, já expressou que a repressão aos manifestantes pode configurar crime contra a humanidade.

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) também se reunirá em caráter de emergência nesta sexta-feira para discutir a crise da Líbia.

Em conversa telefônica com os chefes de Estado e de governo da Grã-Bretanha, França e Itália, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, discutiu estratégias para responder à crise na Líbia.

A Casa Branca informou que as medidas podem incluir ações de assistência humanitária, mas destacou que todas mesa todas as opções, incluindo possíveis sanções.

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