Hillary Clinton pede saída imediata de Khadafi

Hillary Clinton Direito de imagem Reuters
Image caption Clinton disse que é chegada a hora de Khadafi abandonar o poder

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, pediu nesta segunda-feira que o líder líbio Muamar Khadafi renuncie imediatamente e ponha um fim à violência contra oposicionistas no país.

Durante uma reunião de ministros de Relações Exteriores em Genebra para discutir a crise política na Líbia, Clinton disse que os Estados Unidos apoiam transições ordenadas, pacíficas e duradouras para a democracia na Líbia e em outras partes do mundo árabe.

"O povo da Líbia deixou claro: é chegada a hora de Khadafi sair. Agora. Sem mais violência", afirmou.

A secretária de Estado disse que a democracia trará mais estabilidade à região.

"Sem passos concretos para governos representativos e transparentes e para economias abertas, o abismo entre as pessoas e seus líderes só vai aumentar, e a instabilidade se aprofundará ", disse.

Mercenários

Hillary Clinton acusou Khadafi e seus partidários de usar "mercenários e criminosos" para atacar civis desarmados e de executar soldados que se recusam a apontar armas para os cidadãos.

"Khadafi e os que estão ao lado dele devem ser considerados responsáveis por estes atos, que violam as obrigações legais internacionais", disse.

"Continuaremos explorando todas as opções possíveis de ação (para pressionar o regime de Khadafi a frear a violência). Como já dissemos, nada está fora de cogitação enquanto o governo líbio continuar ameaçando e matando cidadãos."

Clinton disse ainda que os princípios de democracia e liberdade "não são somente ocidentais e sim universais", e que os Estados Unidos "estão prontos para ajudar em uma transição para a democracia, inclusive financeiramente".

"As pessoas da Líbia escreveram seu destino. Elas estão enfrentando as balas do ditador para conseguirem desfrutar da liberdade, que é direito de todo homem, mulher e criança", disse.

Também nesta segunda-feira, a União Europeia impôs sanções incluindo um embargo de armas, congelamento de bens e proibição de viagens a autoridades líbias, incluindo o coronel Khadafi.

Leia mais na BBC Brasil: UE aprova embargo de armas à Líbia e bloqueia bens de Khadafi

Transição

A secretária de Estado disse que os Estados Unidos receberam bem a notícia de que o governo interino da Tunísia pretende realizar eleições presidenciais e alertou os grupos extremistas da região, que estariam dando a si mesmos o crédito pela vitória dos protestos.

"O sucesso dos protestos pacíficos tirou o crédito dos extremistas e expôs seus argumentos falidos", disse Clinton.

Ela acusou ainda o governo do Irã de ter cometido atos de violência contra manifestantes e encerrou seus discurso em Genebra dizendo que o mundo "não é mais o meu nem o de minha mãe".

"Os jovens sabem de tudo o que acontece em todos os lugares e não vão mais tolerar uma conjuntura que bloqueie suas aspirações. Este é um momento de esperança para toda a humanidade."

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