Tribunal Penal Internacional investigará Khadafi por crimes contra a humanidade

O promotor-chefe do Tribunal Penal Internacional anunciou nesta quinta-feira que investigará o líder líbio, Muamar Khadafi, seus filhos e seus principais assessores por crimes contra a humanidade.

Afirmando que "ninguém tem o direito de massacrar civis", Luiz Moreno-Ocampo disse que as investigações serão imparciais, e que grupos de oposição a Khadafi também estão sujeitos a investigação e a processos, se for provado que crimes foram cometidos na batalha contra o regime líbio.

"Temos um mandato para fazer justiça e faremos. Não haverá impunidade", disse o promotor.

"Temos informações de que algum grupos de oposição também têm armas. Gostaria de ser claro: se grupos de oposição cometerem crimes também serão investigados. Seremos imparciais", afirmou.

Milhares de pessoas teriam morrido na Líbia desde o dia 17 de fevereiro, quando começaram protestos no país pela saída de Khadafi. Forças de segurança do regime reagiram com violência, e o coronel Khadafi vem prometendo continuar a lutar, apesar de ter perdido controle de grande parte do país.

Aviões da Força Aérea da Líbia lançaram novos ataques contra a cidade produtora de petróleo de Brega, no leste do país, nesta quinta-feira.

Um porta-voz dos oposicionistas ao regime do líder líbio Muamar Khadafi afirmou que os aviões bombardearam o aeroporto da cidade, onde fica um importante terminal de petróleo, além de atacar também forças rebeldes na cidade próxima de Ajdabiya. Não há informações de mortos ou feridos.

As forças leais a Khadafi chegaram a ocupar a cidade de Brega na quarta-feira, mas foram rechaçadas pelos rebeldes e empurradas para outro terminal de petróleo próximo, o de Ras Lanuf.

Esses combates deixaram 14 mortos.

Investigação

Moreno-Ocampo disse que o coronel Khadafi, seu círculo de seguidores e alguns de seus filhos com autoridade de facto no país serão investigados, além de outros nomes ligados ao governo.

“Eles são o Ministério dos Negócios Exteriores, o chefe do regime de segurança e do serviço secreto militar, o chefe da segurança pessoal de Khadafi e o chefe da organização de segurança externa líbia. (...) Se forças sob o comando destas pessoas cometeram crimes, eles serão responsabilizados criminalmente”, disse o promotor.

"Grupos de manifestantes pacíficos foram atacados por forças de segurança. Nas próximas semanas o escritório (do promotor) investigará quem são os responsáveis pelos incidentes mais sérios, pelos crimes mais sérios cometidos na Líbia".

Crise

A violência na Líbia levou a uma grande crise humana na fronteira do país com a Tunísia, com dezenas de milhares de estrangeiros parados no local, sem poder ir para casa.

Entre 80 e 90 mil pessoas já fugiram para a Tunísia desde o início dos protestos e dezenas de milhares ainda estão esperando para cruzar a fronteira, de acordo com a ONU.

Até recentemente a maioria dos refugiados era de egípcios, mas mais de 5 mil bengaleses cruzaram a fronteira na quarta-feira e também há muitos refugiados do leste da Ásia.

O correspondente da BBC na fronteira Jim Muir afirmou que será um trabalho gigantesco enviar todos estes refugiados de volta para seus países.

Grã-Bretanha, França, Espanha e outros países estão realizando transportes de emergência para retirar as pessoas reunidas nas fronteiras.

Notícias relacionadas