Proposta de Chávez de mediar conflito líbio é recebida com frieza

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Image caption Saif al-Islam, filho de Khadafi, recusou proposta de mediação de Chávez

A proposta do presidente venezuelano, Hugo Chávez, de mediar o conflito na Líbia foi recebida com frieza na noite desta quinta-feira.

Pela iniciativa de Caracas, seria criada uma comissão de paz que a princípio seria formada por latino-americanos, europeus e africanos, mas poderia ter a participação de outros países.

No entanto, a proposta foi rejeitada pelo conselho da oposição, baseado na cidade de Benghazi, na costa leste da Líbia. Segundo os opositores, era tarde demais para uma mediação, já que muito sangue havia sido derramado.

Um dos filhos de Khadafi, al-Islam, também afirmou na haver necessidade de um envolvimento externo, visto que a Líbia era capaz de resolver seus próprios problemas.

A iniciativa também foi criticada pelo Departamento de Estado americano. “Não é preciso uma comissão internacional para dizer ao coronel Khadafi que ele precisa ajudar o seu país e o seu povo”, disse o porta-voz do órgão, P.J. Crowley.

“Ele deveria deixar o cargo e, para o bem do seu povo, deveria parar de atacá-los.”

‘Guerra civil’

No início do dia, o ministro da Informação da Venezuela, Andrés Izarra, disse que o chanceler líbio elogiou a iniciativa, sugerindo que Khadafi também acreditava ser uma iniciativa positiva.

Leia mais na BBC Brails: Venezuela diz que Líbia aceita mediação; plano enfrenta resistência

Segundo uma fonte ouvida pela BBC Brasil no início do dia, em uma conversa telefônica com Khadafi na quarta-feira, Chávez disse que o objetivo da comissão seria evitar “uma guerra civil” na Líbia.

Ao lançar a iniciativa, na terça-feira, Chávez acusou os Estados Unidos de "promoverem a guerra" na Líbia, interessados na apropriação do petróleo do país.

"Atuemos politicamente, não nos deixemos levar pelos tambores da guerra", afirmou Chávez, em Caracas.

As reações contra o plano vieram também a Europa: “Qualquer mediação que permita que o coronel Khadafi suceda a ele mesmo obviamente não é bem-vinda”, afirmou o chanceler da França, Alain Juppé.

Colaborou Claudia Jardim, de Caracas para a BBC Brasil

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