Forças líbias reprimem protesto anti-Khadafi na capital do país

Rebeldes fazem sinal de vitória a caminho de uma batalha contra forças de segurança. Direito de imagem AFP
Image caption Centenas protestaram após as preces de sexta-feira na Líbia

Manifestantes líbios realizaram nesta sexta-feira uma passeata contra o governo nas ruas da capital do país, Trípoli, sendo reprimidos com gás lacrimogêneo pela polícia.

Os protestos na capital, considerada um bastião do líder Muamar Khadafi, começaram após as orações de sexta-feira.

Em Tajoura, subúrbio da cidade que já foi palco de protestos contra o líder, o correspondente da BBC Wyre Davies diz que centenas de pessoas queimaram a bandeira oficial da Líbia durante o protesto, pedindo a renúncia de Khadafi.

“O que vimos foi um feroz protesto contra Khadafi. Então, de repente, milícias e policiais chegaram atirando dezenas de bombas de gás lacrimogêneo”, relata Davis.

“A cena era caótica. As pessoas correram e depois voltaram, cantando slogans anti-Khadafi.”

Mercenários

A polícia secreta havia reforçado a segurança em Trípoli um dia antes, e milícias partidárias do líder líbio haviam montado pontos de checagem e patrulhado as ruas, segundo testemunhas.

Há relatos também de que houve uma onda recente de detenções de opositores na cidade e de que o governo líbio contratou centenas de mercenários do Mali para ajudar a reprimir os rebeldes.

Ao mesmo tempo, autoridades tentaram impedir que profissionais de veículos de comunicação estrangeiros saíssem do hotel em que se concentram, alegando que o impedimento era para protegê-los de “elementos da Al-Qaeda”.

Depois, os jornalistas foram autorizados a deixar o hotel, desde que fossem transportados em ônibus oficiais e para locais selecionados pelo governo.

Interpol

Nesta sexta-feira, a Interpol, central de informações internacional que auxilia na cooperação de polícias de diferentes países, emitiu um alerta contra Muamar Khadafi e outros 15 líbios, incluindo membros da família do líder.

O aviso foi destinado aos 188 países membros da organização, e alerta para o perigo de tentativa de viajem a outros países e de movimentação de bens por parte dos indivíduos.

A restrição de circulação e o congelamento de bens de Khadafi e pessoas ligadas a seu governo foram determinados em resolução do Conselho de Segurança da ONU.

O Secretário Geral da Interpol, Ronald K. Noble, disse que a organização dará acesso a sua base se dados sobre Khadafi e os outros líbios a seus países membros.

“Como prioridade, temos que trabalhar para proteger as populações civis da Líbia e de quaisquer países para onde estes indivíduos possam tentar viajar ou para onde tentem mover seus bens”, disse.

Avanço rebelde

Em outros pontos do país, voltaram a ser registrados confrontos entre forças leais a Khadafi e rebeldes, que pedem a saída do líder líbio.

No leste, na cidade de Benghazi - palco dos primeiros protestos anti-Khadafi, em fevereiro – os oposicionistas também realizaram uma passeata, da qual participaram milhares de pessoas.

Há relatos de que os opositores teriam avançado nesta sexta-feira rumo ao porto de Ras Lanuf, para onde partidários de Khadafi recuaram após uma batalha, há dois dias, e teria havido confrontos na cidade.

Também teriam ocorrido choques em Zawiyah, cidade controlada pelos rebeldes, que fica a 50 km a oeste de Trípoli.

Segundo agências de notícias, há relatos de que pelo menos 30 pessoas foram mortas no conflito com as forças de segurança do coronel Khadafi, que tentam recuperar o controle da região.

Aviões do governo teriam bombardeado uma base militar em poder dos rebeldes na cidade de Ajdabiya.

A oposição – que abrange milícias de cidadãos e desertores do Exército – também controla a cidade de Brega, alvo de uma ofensiva fracassada do governo neste semana e onde fica a segunda maior refinaria de petróleo do país.

O correspondente da BBC John Simpson, que está acompanhando os rebeldes, diz que as ações dos grupos opositores não parecem seguir um plano pré-definido.

“Um deles me disse que havia sido um prisioneiro político por cinco anos e queria vingança pelo que as forças de Khadafi haviam feito contra ele e sua família”, relata Simpson.

Leia mais na BBC Brasil: Líbia estaria impedindo saída de refugiados, diz autoridade britânica

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