Partidos acertam formação de governo de coalizão na Irlanda

Enda Kenny, apontado como futuro premiê irlandês Direito de imagem Reuters (audio)
Image caption Partido de Enda Kenny quer renegociar termos de pacote de resgate irlandês

Os dois maiores partidos representados no Parlamento da Irlanda apoiaram a decisão de seus líderes de formar um governo de coalizão, focado no deficit público e em cortes no funcionalismo, num momento em que o país ainda vive os efeitos de uma forte crise econômica.

Representantes do Partido Trabalhista (centro-esquerda) votaram, em encontro neste domingo, a favor de aderir ao governo do partido Fine Gael (centro-direita), que obteve a maioria dos votos nas eleições parlamentares de fevereiro.

O Fine Gael ficou com 76 assentos no Parlamento (pouco menos da maioria das cadeiras), e os trabalhistas, com 37.

O pleito resultou na derrota do até então partido governista Fianna Fail, ao qual a população atribuiu a responsabilidade pela crise econômica.

Acordo

Após uma reunião do Fine Gael neste domingo, Enda Kenny, o líder do partido e designado para ser o próximo premiê do país, disse que sua legenda está “muito feliz” com o acordo com os trabalhistas.

O líder trabalhista, Eamon Gilmore, disse que o programa de governo da nova coalizão não será uma continuação do governo anterior, mas sim uma “ruptura”.

Ambos os partidos prometeram em campanha tentar renegociar os termos do pacote de resgate de 85 bilhões de euros (R$ 195 bilhões) imposto à Irlanda pelo FMI e pela União Europeia antes das eleições.

Mas as agremiações discordam quanto à magnitude das reduções que devem ocorrer no setor público, quanto ao aumento de impostos e quanto aos cortes necessários para reduzir o deficit orçamentário do país.

Neste domingo, veio à tona a informação de que o novo governo, apesar do anúncio de ruptura, manterá a meta orçamentária definida por seu antecessor, com base no pacote de resgate da UE e do FMI.

Ainda assim, Kenny reiterou que pretende renegociar os termos do pacote.

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