Julgamento de Chirac é adiado em Paris

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Image caption Ex-presidente responde por acusações de quando foi prefeito de Paris

A Justiça francesa suspendeu ao menos até junho o julgamento do ex-presidente Jacques Chirac, que é acusado de ter criado empregos fantasmas no período em que ele era prefeito de Paris, entre 1977 e 1995, ano em que assumiu a Presidência da França.

A decisão pela suspensão aconteceu nesta terça-feira, segundo dia de julgamento, após um recurso imposto pelo advogado de defesa de um dos réus do caso, que argumentou que era inconstitucional apreciar mais de uma acusação em um mesmo julgamento.

Também argumentou que um dos pontos-chave do processo havia prescrito.

A Justiça acatou o recurso, e o adiamento até junho pode até se prolongar se o caso for transferido para a Corte Constitucional francesa.

Chirac, 78 anos, faz parte de um grupo de réus que enfrenta acusações de desvio de dinheiro, abuso de confiança e conflito de interesses. Ele pode ser condenado a dez anos de prisão e multa de até 150 mil euros (R$ 345 mil).

Destaque na imprensa

Esta é a primeira vez que um ex-presidente vai a julgamento no país, e o caso está tendo grande destaque na mídia local.

O caso faz parte de uma saga judiciária que envolve dois processos: a criação de 21 empregos fictícios de “encarregados de missões” junto ao gabinete do prefeito, entre 1992 e 1995; e outro de sete empregos fantasmas, que estava sendo julgado por um tribunal de Nanterre, nos arredores de Paris, e foi anexado ao primeiro dossiê.

Promotores dizem que esses empregos eram concedidos a funcionários permanentes de seu partido ou mesmo parentes de políticos do partido que não exerciam nenhuma função. Eles recebiam salários pagos pela prefeitura da capital.

Alguns acusados já foram julgados e condenados. Mas Chirac só pôde ser indiciado em 2007, após o período de 12 anos de imunidade penal durante seu mandato como presidente, de 1995 a 2007.

No tempo em que foi prefeito de Paris, Chirac também era presidente do antigo partido RPR, que se tornou o atual UMP, do governo.

O ex-presidente argumenta que todos os empregos criados eram legítimos e "úteis à cidade de Paris".

Reembolso

Em um acordo recente, o partido UMP reembolsou 2,2 milhões de euros à prefeitura de Paris, sendo que 500 mil euros foram pagos pelo próprio Chirac.

O atual ministro francês das Relações Exteriores, Alain Juppé, homem forte do governo Sarkozy e parceiro político de Chirac, já havia sido condenado, em 2004, a 14 meses de prisão, cumpridos em liberdade, e ficou um ano sem poder concorrer a cargos políticos.

Há informações de que o estado de saúde de Chirac estaria fragilizado.

Colaborou Daniela Fernandes, de Paris para a BBC Brasil

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