Repórter brasileiro preso na Líbia é libertado

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Image caption Netto está na casa do embaixador brasileiro em Trípoli

O jornal O Estado de S. Paulo anunciou que o repórter Andrei Netto, enviado pelo veículo à Líbia e desaparecido desde o domingo, foi libertado nesta quinta-feira.

Em entrevista à rádio Eldorado, do grupo Estado, Netto disse que ficou incomunicável em uma prisão nos arredores de Trípoli por oito dias.

Segundo o repórter, ele e o iraquiano Ghaith Abdul-Ahad, repórter do jornal britânico The Guardian, foram capturados por forças de segurança do governo líbio na cidade de Sabrata, a cerca de 60 km a oeste de Trípoli, enquanto tentavam chegar à capital.

Para que fosse libertado, o brasileiro foi obrigado a deixar o país. Já Abdul-Ahad, segundo Netto, permanece preso.

De acordo com o brasileiro, ele e o iraquiano entraram na Líbia pela Tunísia, transportados por rebeldes, e não conseguiram o visto de entrada no posto fronteiriço de Dehiba.

Ambos tentavam chegar a Trípoli com a ajuda de habitantes locais. Em Sabrata, foram abrigados por um morador, mas acabaram expulsos na quarta-feira.

Pouco depois, foram cercados por milicianos pró-Kadafi e detidos. Nesse episódio, recebeu uma coronhada na cabeça, única agressão sofrida no período em que permaneceu preso.

Netto atribuiu sua soltura à atuação do embaixador brasileiro em Trípoli, George Ney Fernandes, em cuja casa está abrigado. Ele deve deixar a Líbia nesta sexta-feira.

Para que Netto fosse solto, O Estado de S.Paulo afirma ter contatado o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICR), a ONU, a ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF) e o governo brasileiro, entre outros órgãos.

Nesta quinta-feira, a presidente Dilma Rousseff havia determinado ao ministro interino de Relações Exteriores, Ruy Nogueira, “providências urgentes” para garantir a “integridade física e a libertação” de Netto.

Segundo nota oficial do Planalto, Dilma estava “acompanhando com atenção a situação do jornalista".

O Guardian afirma que Abdul-Ahad fez seu último contato no último domingo, por meio de uma terceira pessoa, e que "esforços urgentes" estão sendo tomados para confirmar o seu paradeiro.

Leia mais na BBC Brasil: Equipe da BBC é detida e torturada por forças de Khadafi

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