Saiba quais as opções de intervenção militar possíveis na Líbia

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Image caption Rebelde na cidade de Ras Lanuf: zona de exclusão aérea vem sendo discutida

À medida que a crise na Líbia continua a preocupar líderes mundiais, o especialista da BBC em diplomacia Jonathan Marcus examina as opções de intervenção no país a serem consideradas, assim como os desafios e as consequências inerentes a cada uma delas.

A sobrevivência pode ser a principal preocupação do líder líbio, Muamar Khadafi, mas em termos estratégicos suas forças parecem ter dois objetivos principais.

O primeiro é ampliar a área sob seu controle a oeste e sul da capital, Trípoli, em um esforço para solidificar seu domínio de metade do país. Isso explica os combates em e ao redor da cidade de Zawiya.

Com forças rebeldes mantendo o controle de cidades-chave no leste da Líbia, tropas leais a Khadafi parecem prontas para abrir seu caminho na dierção de Ras Lanuf, para ver se podem "morder" ao menos mais um pedaço da cidade, controlada por rebeldes.

Há discussão nos círculos militares sobre a capacidade real das tropas leais ao líder líbio.

Em primeiro lugar, quantos soldados são necessários para manter seu controle sobre Trípoli? Quantos ele pode concentrar na capital, e quantos pode despachar para outros lugares?

Seus comandantes são capazes de coordenar operações eficientes usando blindados, infantaria e recursos aéreos?

As forças que permaneceram leais a Khadafi realmente são tão comprometidas com o regime, ou estariam elas sendo movidas, em parte, por recompensas em dinheiro?

Seria possível que mais de suas forças passassem para o lado dos opositores, se a balança de poder do país mudar significativamente?

A vantagem parece ter passado para o lado de Khadafi nos últimos dias. Entretanto, ao longo do tempo, se forças anti-Khadafi conseguirem manter controle do leste, e ainda mais crucialmente, se conseguirem apoio em termos de treinamento e equipamento do exterior, poderão conseguir montar ofensivas próprias.

No momento, entretanto, além de falta de poderio aéreo, os opositores de Khadafi tampouco têm mobilidade estratégica, para por exemplo, mover veículos pesados rumo a oeste, e assim ameaçar cidades costeira consideradas chave para o controle do país.

Todos estes fatores têm que estar na mente de governos ocidentais, diplomatas e estrategistas militares, quando eles se encontrarem nos próximos dias para discutir as opções disponíveis.

Todas as opções estão sendo consideradas, eles dizem, então quais seriam elas?

Zona de exclusão aérea

Esta é a principal "opção militar" sendo discutida no momento. Deve haver clareza desde o começo: especialistas afirmam que essa não é uma medida neutra, mas sim o lado mais vulnerável de uma intervenção militar.

O bojo da força aérea necessária para implementar uma decisão como estas teria que vir, presumivelmente, da Otan, mas haveria claramente vontade de envolver outros atores, para demonstrar que esta não seria mais uma "intervenção ocidental" no Oriente Médio.

Um grupo regional, o Conselho de Cooperação do Golfo, já jogou seu peso por trás de uma zona de exclusão aérea.

Os rebeldes da Líbia querem que a comunidade internacional endosse uma zona de exclusão aérea. Perguntas cruciais, entretanto, precisam ser respondidas.

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Image caption Soldado leal a Khadafi, em Trípoli

Seria necessária uma resolução específica da ONU para estabelecer algo assim? Rússia e China apoiariam essa opção? E, se não, o apoio de protagonistas regionais seria suficiente para que os EUA e seus aliados seguissem em frente com uma zona de exclusão aérea?

Como a opção seria implementada? Começaria com ataques aéreos contra mísseis antiaéreos e sistemas de radar de Khadafi, como o secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, sugeriu, ou estas defesas só seriam alvejadas se aviões de patrulhamento da zona de exclusão fossem "identificados" ou atacados pela defesa líbia?

Previsão: Há muitos defendendo a opção, e muitos condenando-a. É a mais provável das escolhas a serem implementadas, mas levanta muitas dúvidas em termos de eficácia. E se uma zona de exclusão aérea não mudar a dinâmica dos combates no solo, o que viria depois?

Ação aérea direta

Em vez de um esforço prolongado para debilitar a Força Aérea líbia, com constante patrulhamento e intervenções quando necessário, outra abordagem seria simplesmente neutralizar a Força Aérea líbia, bombardeando pistas de pouso ou destruindo aviões em solo.

Previsão: A opção não estaria no topo da lista, porque pouco se distancia de uma intervenção em grande escala.

Zona de exclusão terrestre

Essa seria essencialmente uma extensão, no solo, da idéia da zona de exclusão aérea, uma variável que foi usada contra o Iraque de Saddam Hussein.

Trata-se simplesmente de impor linhas para além das quais unidades armadas não podem avançar, se não quiserem ser atacadas.

Essa opção, entretanto, é mais difícil de implementar em um país do tamanho da Líbia, e exigiria uma frota de aviões capaz de atacar forças no chão.

Previsão: Tampouco está no alto da lista de opções

Armar e treinar

Se houver um impasse militar, os opositores de Khadafi precisarão de treinamento e apoio do exterior, não necessariamente vindo do Ocidente.

As Forças Armadas do Egito, por exemplo, são altamente capazes e têm um forte interesse estratégico no que acontece a oeste de sua fronteira.

Isso, é claro, implica tempo necessário para moldar as forças que se rebelam contra Khadafi em uma força de combate coesa.

Previsão: Atraente em termos de manter a distância do conflito, e por ser uma opção que equalizaria as forças. Mas levaria tempo. Quem o faria? Que tipos de armas seriam fornecidas? E onde essas armas acabariam no longo prazo? Mais uma vez, não está no topo da lista, mas pode ser um assunto a ser debatido se um impasse acontecer, e se o conflito continuar