‘Satanista’ é condenado a prisão perpétua por abuso sexual de menores

Colin Batley Direito de imagem BBC World Service
Image caption Colin Batley ficará pelo menos 11 anos na cadeia

O líder de um suposto culto satanista na Grã-Bretanha foi condenado à prisão perpétua nesta sexta-feira por crimes sexuais envolvendo, inclusive, menores.

Colin Batley, de 48 anos de idade, foi considerado culpado de 11 crimes, incluindo estupro, incitar crianças a fazer sexo, estimulo à prostituição e posse de imagens indecentes de menores.

O juiz no tribunal da cidade de Swansea (no País de Gales, sul da Grã-Bretanha) afirmou que Batley deve permanecer preso pelo menos 11 anos antes que qualquer pedido de liberdade condicional seja considerado.

Os crimes ocorreram ao longo de décadas na cidade de Kidwelly, perto de Swansea.

'Reino doentio’

"Está claro que você dedicou sua vida desde quando tinha 12 anos de idade a satisfazer seus desejos sexuais usando qualquer meio à sua disposição. Você não se importava com a idade ou o sexo das vítimas que aterrorizava psicologicamente", disse o juiz.

O magistrado afirmou que Batley "comandava um reino doentio, rodeado por mulheres prestativas que dançavam ao seu comando, um mundo fechado e pervertido no qual crianças e mulheres eram usados como brinquedos sexuais."

O julgamento de cinco semanas considerou ainda três mulheres.

A amante de Batley e considerada a número dois da seita, Jacqueline Marling, 42 anos, foi sentenciada a 12 anos por cumplicidade nos estupros e por incentivar crianças a fazer sexo.

A esposa do líder, Elaine Batley, 47 anos, foi condenada a oito anos de prisão por ter feito sexo junto com o marido e uma menor de idade. Shelly Millar, 35 anos, recebeu uma sentença de cinco anos por ter mantido repetidas relações sexuais com um garoto quando este tinha entre 12 e 15 anos de idade.

Durante o julgamento, a acusação disse que Batley controlava psicologicamente as mulheres, chegando a fazê-las tirar a roupa com um estalar de seus dedos. Algumas mulheres que acompanhavam a audiência no tribunal foram vistas chorando no auditório quando o juiz disse que o líder do grupo poderia passar o resto da vida atrás das grades.

Segundo o que foi revelado no tribunal, os integrantes do suposto culto se reuniam aos domingos, vestidos com roupões, quando escutavam um sermão de Batley, dançavam ao redor de um altar, bebiam vinho e escutavam do líder quem deveria fazer sexo com quem nas sessões grupais.

Crowley

No julgamento, Batley e as outras acusadas afirmaram que o culto satânico nunca existiu, mas o júri não acreditou nesta versão.

Uma das vítimas afirmou aos jurados que, ao engravidar quando adolescente, ouviu de Batley que sua criança seria fruto do oculto e ameaçou matá-la se ela revelasse o que sabia sobre o grupo, de acordo com a imprensa local.

Batley foi detido em sua casa em Kidwelly, local onde ocorriam os supostos rituais, no ano passado. No local, a polícia encontrou material satânico e sobre deidades egípcias.

O júri do caso ouviu que o líder criava comercialmente cães da raça rottweiler e mantinha dois animais para segurança própria. Ele mantinha ainda gatos batizados com nomes relacionados com o ocultismo.

Muitas das vítimas disseram que eram obrigadas a usar crucifixos de cabeça para baixo e ter em suas casas uma cópia do Livro da Lei (Book of Law, em inglês), obra do famoso ocultista inglês Aleister Crowley, escrita no Cairo no começo do século 20.

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