Alemanha suspende ampliação de vida útil de usinas nucleares

Alemanha/Reuters Direito de imagem BBC World Service
Image caption Protestos contestaram o uso de energia nuclear na Alemanha

A Alemanha anunciou nesta segunda-feira que suspendeu temporariamente seus planos de ampliar a vida útil de suas usinas nucleares.

A chanceler (premiê) alemã, Angela Merkel, disse que a decisão divulgada no ano passado de ampliar a vida útil das 17 usinas nucleares do país será suspensa por três meses.

"Durante a moratória, examinaremos como podemos acelerar a rota para a era da energia renovável", disse ela.

A medida foi anunciada após a explosão de dois reatores nucleares de uma usina japonesa, como consequência do terremoto e tsunami que atingiram o país na última sexta-feira.

O governo alemão tem sido alvo de protestos contrários à ampliação da vida útil das instalações, e, com a suspensão anunciada nesta segunda-feira, as duas plantas nucleares mais antigas do país (construídas nos anos 1970) provavelmente serão fechadas nos próximos meses.

Merkel disse que os eventos no Japão "nos ensinam que os riscos que considerávamos absolutamente improváveis na verdade não o são".

Outros países

Além da Alemanha, o acidente nuclear japonês - já considerado o mais grave desde Chernobyl, em 1985 - levou também outros países a reverem suas posições.

A Suíça disse que vai endurecer os padrões de segurança que regulam suas usinas nucleares "particularmente com relação a segurança sísmica e resfriamento", segundo a ministra da Energia do país, Doris Leuthard.

A Suíça tem quatro usinas nucleares que produzem 40% da energia que o país consome.

A União Europeia convocou para a terça-feira uma reunião com autoridades do setor nuclear para discutir o quanto o bloco está preparado para o caso de emergências.

A Áustria, que se preocupa com a segurança em plantas nucleares instaladas em antigos países comunistas com os quais faz fronteira, reivindica que as usinas sejam testadas em casos de terremotos.

Mas países como a Rússia e a Polônia afirmaram que não vão cancelar planos de ampliar o uso de energia nuclear.

Em janeiro, havia 195 usinas nucleares em operação na Europa e 19 em construção, sendo que 11 delas na Rússia.

No Brasil, o presidente do Senado, José Sarney, pediu para que ocorra um debate “feito por técnicos, não por políticos”, sobre a segurança das usinas brasileiras.

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