Apesar de melhora na imagem dos EUA, sindicatos e UNE planejam protestos

Cartaz do PSTU
Image caption Segundo a UNE, governo Obama tem sido 'muito decepcionante'

Apesar de a imagem que os brasileiros têm dos Estados Unidos ter melhorado, movimentos liderados por sindicatos e entidades como a União Nacional dos Estudantes (UNE) mudaram pouco sua percepção do país e organizam protestos para receber o presidente americano, Barack Obama, no fim de semana.

No último dia 7, uma pesquisa da BBC realizada pelo instituto GlobeScan apontou que a visão positiva dos Estados Unidos entre os brasileiros aumentou nove pontos percentuais em relação ao ano anterior e chegou a 64%. Já as percepções negativas do país no Brasil caíram 14 pontos percentuais – para 21%.

Em redes sociais como Twitter e Facebook, há manifestações tanto de protesto como de apoio à visita de Obama, mas as reações indicam a adesão de muitos cariocas que já declararam sua intenção de assistir ao discurso do presidente americano no centro da cidade.

Na tarde da última quarta-feira, grupos liderados pela UNE e pelo Sindicato dos Petroleiros (SindiPetro-RJ) convocaram protestos no centro do Rio para esta sexta-feira, às 16h, em frente à Igreja Candelária, e no domingo, na Cinelândia, diante do Teatro Municipal, onde Obama vai fazer seu discurso “para o povo brasileiro”.

“Para nós, a personalidade do presidente não é importante. O que importa é que tanto Bush como Obama representam o mesmo interesse, que é o do capital internacional”, diz Edson Munhoz, diretor jurídico do SindiPetro-RJ.

“Seria falso passar a impressão à sociedade brasileira de que Obama representa uma mudança profunda em relação ao Bush, porque as mudanças que ele prometeu não vêm se concretizando”, diz Augusto Chagas, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE).

Image caption Sindicato dos Petroleiros alerta sobre interesse americano no setor

Cenário diferente

Mas Obama encontrará um cenário mais simpático a seu país do que seu antecessor, George W. Bush, que teve sua visita marcada por protestos em 2007.

Entre os sindicatos, o tom radical dos protestos encontra dissonâncias. Enquanto o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) produziu cartazes com os dizeres “Obama, go home!” (Obama, vá para casa), Darby Igayara, presidente no Rio da Central Única dos Trabalhadores (CUT-Rio) diz que, para a organização, “a postura de ‘fora, Obama!’ está fora de questão”.

“Existem críticas a ele, e delas a gente não se furta. Mas a vinda de Obama não pode ser considerada de forma negativa. Faz parte da relação diplomática. O Obama quer vender e o Brasil também quer vender. Que essa relação sirva para beneficiar os dois países”, diz.

Igayara acrescenta que o cenário é outro a partir da eleição de Barack Obama. “Se fosse o Bush, iríamos gritar ‘fora, Bush’. Mas quando se elege o Obama, se estabelece uma outra relação. As propostas que ele trazia de mudanças nas relações institucionais, comerciais e militares mostravam uma outra direção. O problema é que ele perdeu força política e acabou não fazendo nada”, diz.

Assim como Igayara, Augusto Chagas indica que a resistência entre os grupos de esquerda poderia ser menor se o governo Obama tivesse levado adiante mais promessas de campanha, como a de fechar a prisão de Guantánamo, em Cuba.

“A expectativa de mudanças do governo de Obama em relação ao de Bush não tem se concretizado. Seu governo tem sido muito decepcionante”, diz o presidente da UNE, criticando a atuação americana nas guerras no Afeganistão e no Iraque e a continuidade do bloqueio a Cuba.

Pano preto

Chagas diz que a UNE vai estender um pano preto sobre sua fachada na Praia do Flamengo, como fez por ocasião das visitas do secretário de Estado John Foster Dulles e do presidente americano Dwight Eisenhower nos anos 1960.

“Queremos chamar atenção para o fato de que sua vinda não representa uma festa, pelo contrário. Não acreditamos nas razões amigáveis com que justifica sua visita. A política dos Estados Unidos para a América Latina é de influenciar os países e fazer valer seus interesses”, afirma.

Em resposta ao interesse demonstrado pelos Estados Unidos de participar da exploração do pré-sal, Edson Munhoz diz que os petroleiros estarão a postos para erguer bandeiras com o lema do SindiPetro: “o petróleo tem que ser nosso”.

“Ele vem como representante da maior potência do mundo e já colocou como prioridade a energia e o petróleo. Vamos defender que não se entregue o nosso petróleo. O petróleo do Brasil é para o brasileiro”, diz.

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