Tragédia no Japão

Diretor da AIEA confirma danos em três reatores de usina japonesa

O diretor geral da AIEA, Yukio Adamo

Yukio Amano, da AIEA, confirmou os danos em três reatores da usina

O diretor da Agência Internacional de Energia Atômica da ONU (AIEA), Yukiya Amano, confirmou nesta quarta-feira que três reatores da usina nuclear de Daiichi, na província japonesa de Fukushima (leste do país), foram danificados pelas consecutivas explosões após o terremoto que atingiu o país.

O tremor de magnitude 8,9 e o tsunami que se seguiu a ele na sexta-feira provocaram panes no sistema de resfriamento dos reatores e aumentaram o risco de vazamentos de radiação.

"A situação na usina de Fukushima Daiichi é muito grave. Danos nos núcleos de três unidades, os reatores número 1, número 2 e número 3, foram confirmados. Mas não houve mudanças significativas desde ontem (terça-feira). Os núcleos permanecem cobertos”, disse Amano em uma coletiva.

“Não sabemos a situação exata nos recipientes dos reatores, mas a pressão de dentro se mantém acima da pressão atmosférica. Isso sugere que eles permanecem praticamente intactos."

Pensilvânia, 1979

O diretor da AIEA afirmou ainda que irá ao Japão pessoalmente na quinta-feira e que, no momento, ainda não é possível dizer que a situação nuclear esteja fora de controle no país – como disse na terça-feira o comissário de Energia da União Europeia, Günther Oettinger.

Em pronunciamento para um comitê do Parlamento Europeu, Oettinger alertou para o fato de que "nas próximas horas, podem acontecer novos eventos catastróficos que poderiam ameaçar as vidas das pessoas" no Japão.

Também nesta quarta-feira, o secretário de energia dos Estados Unidos, Steven Chu disse que a situação em Daiichi parecia mais séria do que o derretimento do núcleo de um dos reatores da usina de Three Mile Island, no Estado americano da Pensilvânia, em 1979.

Por causa de um problema no sistema de resfriamento, o núcleo da usina americana derreteu, mas o vazamento de pequenas quantidades de radiação não foi prejudicial aos moradores da região.

O Pentágono disse que está distribuindo pastilhas de iodeto de potássio ao soldados em suas bases militares no Japão, como medida de prevenção contra os efeitos da exposição ao material radioativo na região.

Embaixadas

O Ministério de Relações Exteriores do Japão pediu calma aos países que alertaram suas populações para deixarem ou não viajarem para o Japão por causa do temor de um acidente nuclear.

Segundo o governo, a situação está sob controle, mas diversos países se mostram alarmados.

Segundo a TV pública NHK, os governos do Iraque, Bahrein e Angola notificaram o Ministério nesta quarta-feira de que fechariam temporariamente suas embaixadas no Japão.

De acordo com relatos, os funcionários da embaixada já estariam deixando Tóquio.

O Ministério teria dito ainda que o governo do Panamá transferiu sua embaixada para a cidade de Kobe, no sul do país.

Antes, o governo da Áustria já havia anunciado que seu embaixador e diplomatas deixariam a embaixada em Tóquio para o consulado austríaco em Osaka.

De acordo com a NHK, o ministério pediu aos diplomatas e oficiais de governos estrangeiros no Japão que transmitam corretamente as informações fornecidas pelo governo japonês sobre a crise na usina.

Nesta quarta-feira, o governo britânico pediu aos seus cidadãos que estiverem em Tóquio ou no norte do país que considerem deixar os locais, por causa da crise em Fukushima e de uma possível falta de suprimentos na região.

Outros 24 países recomendaram que seus cidadãos deixem ou não viajem para o Japão, incluindo Alemanha, Turquia, Austrália, Estados Unidos, Coreia do Sul, Suécia e Portugal.

Já o governo francês pediu à Air France dois aviões para evacuar os seus cidadãos do país a partir da quinta-feira.

A autoridade nuclear francesa diz que a catástrofe no Japão já atingiu o nível seis, em uma escala que vai até sete. O Japão classifica o incidente como nível quatro.

Clique Leia também na BBC Brasil: Para França, acidente nuclear japonês já atingiu nível seis em escala até sete.

Falta de mantimentos

Em comunicado divulgado pela televisão, o governador da Província de Fukushima, Yuhei Sato, disse que os abrigos para as pessoas que deixaram suas casas não têm refeições quentes, combustível ou suprimentos médicos em quantidades suficientes para atendê-los.

"Nos falta tudo”, disse. “A ansiedade e a raiva sentidas pelas pessoas atingiram o ponto de ebulição.”

O primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, determinou uma área de evacuação em um raio de até 20 quilômetros da usina. Outras 140 mil pessoas que moram a até 30 quilômetros de Daiichi foram aconselhadas a não deixar suas casas.

No início desta quarta-feira, o porta-voz do governo japonês Yukio Edano disse que os níveis de radiação ao redor da usina voltaram a cair e novas operações para evitar o vazamento de combustível nuclear nos reatores 3 e 4 da usina estão em andamento.

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Uma tentativa de despejar água no reator 3 usando um helicóptero da Força de Autodefesa do Japão (FAJ) foi cancelada nesta quarta-feira, por causa do aumento no nível de radiação sobre a usina.

De terra firme também seria lançada água no reator número 4 e possivelmente no número 3, para evitar o superaquecimento das instalações.

No início da manhã, uma nuvem de fumaça foi vista no reator número 3. Segundo a empresa Tokyo Electric Company, que opera a instalação, a fumaça foi liberada pela evaporação da água do reservatório onde ficam armazenados os bastões de combustível já utilizados, que estariam esquentando rapidamente.

Em Tóquio, a mais de 200 quilômetros de Fukushima, o nível de radiação sofreu uma pequena elevação – suficiente para amedrontar os moradores, que começam a estocar mantimentos.

Segundo a NHK, o número oficial de mortos em consequência do terremoto e tsunami chega a 4,3 mil, mas as expectativas são de que este número suba muito, já que foram encontrados muitos corpos não-identificados em regiões de litoral.

Clique Leia mais na BBC Brasil: Equipes de resgate e sobreviventes enfrentam neve no Japão

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