Sarkozy pede que ONU adote zona de exclusão aérea sobre a Líbia

Rebeldes na cidade de Ajdabiya (Reuters) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Forças pró-Khadafi podem estar se aproximando de cidade estratégica

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, pediu nesta quarta-feira que a ONU aprove uma proposta que autoriza a criação de uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia.

Sarkozy fez o pedido em carta endereçada aos líderes dos países membros do Conselho de Segurança da ONU, que iniciaram reunião fechada para discutir a situação líbia.

Na carta, Sarkozy disse que o líder líbio, Muamar Khadafi, prossegue com "suas ações assassinas contra seu povo", apesar de uma resolução de fevereiro e que, agora, eles precisariam "assumir as responsabilidades".

"Vamos juntos salvar o povo líbio martirizado. O tempo agora está sendo contado em dias, ou até horas. O pior seria que o pedido da Liga Árabe e as decisões do Conselho de Segurança fracassarem devido à força armada" pró-Khadafi.

Sarkozy se referiu ao pedido feito pela Liga Árabe da aprovação de uma zona de exclusão aérea.

Leia mais: Liga Árabe apoia zona de exclusão aérea na Líbia

Nesta quarta-feira, a França já tinha informado que recebeu garantias de vários países árabes de que eles estariam prontos para participar da operação que aplicaria a zona de exclusão aérea sobre a Líbia.

Divisão

Os integrantes do Conselho de Segurança estão divididos a respeito da questão.

Grã-Bretanha, França e Líbano, que elaboraram a resolução afirmam querer evitar que o líder líbio, Muamar Khadafi, prossiga com ataques aéreos contra as forças de oposição e querem votar a medida ainda esta semana.

Correspondentes dizem que Turquia, Rússia, China, Brasil e Alemanha, entre outros países, votariam contra. A posição dos EUA não está clara.

As forças do governo da Líbia estão realizando um ataque em duas frentes contra posições rebeldes no leste e no oeste do país

Os soldados do governo cercaram e fizeram o primeiro ataque terrestre em Ajdabiya, a última cidade antes de Benghazi. Os tanques também estão atacando a última cidade controlada pelos rebeldes no oeste, Mistrata.

Financiamento

Também nesta quarta-feira, o escritório de Sarkozy desmentiu prontamente as alegações feitas pelo filho de Khadafi Saif al-Islam de que o governo líbio teria dado dinheiro para sua campanha presidencial.

Saif al-Islam afirmou ter como provar que o regime do coronel Muamar Khadafi destinou recursos para a eleição do líder francês e chamou Sarkozy de ''palhaço''.

''Fomos nós que financiamos a campanha dele e temos provas. Estamos prontos para revelar tudo. A primeira coisa que exigimos desse palhaço é que ele devolva o dinheiro ao povo da Líbia''.

O filho de Khadafi acrescentou ainda: ''Nós o ajudamos para que ele pudesse trabalhar em prol do povo líbio, mas ele nos decepcionou''.

A agência de notícias oficial da Líbia, Jana, já havia afirmado, há uma semana, que possuía ''segredos prejudiciais'' a respeito do financiamento da campanha de Sarkozy, que provocariam a queda do presidente da França.

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