EUA pressionam ONU para aprovar resolução contra Líbia

Soldados do governo líbio no caminho para Ajdabiya, em foto de 15 de março de 2011 Direito de imagem Reuters
Image caption Ajdabiya está sendo alvo de ofensiva do Exército líbio

Os Estados Unidos dizem estar preparados para apoiar a imposição de um bloqueio aéreo sobre a Líbia, mas afirmam que o Conselho de Segurança da ONU deve estar preparado para aprovar uma resolução que imponha medidas ainda mais restritivas ao regime do coronel Muamar Khadafi na Líbia.

A embaixadora americana na ONU, Susan Rice, acredita que a criação de um bloqueio aéreo talvez não seja o suficiente para proteger a população da Líbia.

''A posição dos Estados Unidos é a de que nós precisamos estar preparados para contemplar passos que estabeleçam, e possivelmente vão além, uma zona de exclusão aérea, já que esse tipo de medida possui limitações inerentes em termos de proteção de civis que estão sob risco imediato'', afirmou Rice.

A embaixadora disse esperar que o conselho consiga votar em breve a versão preliminar de uma resolução.

Tropas leais ao coronel Khadafi estão avançando em cidades antes ocupadas por rebeldes contrários ao regime e os militantes anti-governo temem que se a ONU não agir rapidamente poderão ser vítimas de um ''genocídio''

Forças governistas dizem ter capturado Ajdabiya, a última cidade no caminho de Benghazi, que se converteu na capital improvisada dos milicianos anti-Khadafi. Mas os rebeldes negam a informação.

Negociações

Na quarta-feira, o Conselho de Segurança da ONU deu início a longas e difíceis negociações para a aprovação de uma resolução autorizando um bloqueio aéreo.

Em princípio, os Estados Unidos haviam manifestado restrições em relação à imposição de uma zona de exclusão aérea, assim como Alemanha, Rússia e China.

Na Europa, Grã-Bretanha e França foram os mais fortes defensores de um bloqueio aéreo. Os países que integram a Liga Árabe também se manifestaram favoravelmente, após uma hesitação inicial.

Agora, os americanos acreditam que a medida está entre as ações necessárias para colocar Khadafi sob pressão.

Linguagem

A correspondente da BBC na ONU, Barbara Plett, afirma que a versão inicial da resolução utiliza uma linguagem polêmica, autorizando todas as ações necessárias para a proteção de civis, o que alguns interpretaram como a permissão de ataques contra forças terrestres do governo, caso civis estejam sob ataque.

A repórter da BBC afirma que provavelmente o embaixador russo na ONU tenha se referido aos termos da resolução quando afirmou que alguns países membros haviam introduzido propostas com profundas implicações.

A Rússia e a China possuem sérias restrições em relação a uma ação militar, assim como a China. Como contrapartida, os russos propuseram uma resolução impondo primeiro um cessar-fogo.

De acordo com diplomatas ocidentais, a proposta foi rejeitada por ter sido considerada excessivamente branda.

Os defensores da versão inicial do documento defenderam a urgência da ação e estão pressionando por uma votação ainda nesta quinta-feira.

''Nós seguimos negociando nesta quinta-feira, concentrando-nos na gravidade da situação e minha esperança é de que uma resolução séria possa ser votada ainda na quinta-feira. Estamos trabalhando muito duro nesse sentido.''

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