EUA tratarão Brasil de maneira igual a China e Índia, diz Obama

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Image caption Presidente disse que seu país quer ser cliente do petróleo do pré-sal

No primeiro dia de sua visita ao Brasil, neste sábado, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que o Brasil deve ser tratado por seu governo, em questões econômicas, da mesma maneira que a China e a Índia.

"Está na hora de os Estados Unidos tratarem nosso engajamento com o Brasil em questões econômicas de maneira tão séria como fazemos com nações como a China e a Índia", disse Obama, ao anunciar a assinatura de um acordo para criar um novo diálogo econômico e financeiro entre os dois países.

"Esse diálogo vai nos ajudar a fazer isso", afirmou o presidente a uma plateia formada por empresários dos dois países reunidos na Cúpula Empresarial Brasil - Estados Unidos, em Brasília.

O presidente americano fez de sua passagem por Brasília um esforço para aumentar as oportunidades de comércio e investimentos, em um momento em que a economia americana enfrenta uma recuperação mais lenta do que o esperado e uma taxa de desemprego de 9%.

Além de tratar do tema com a presidente Dilma Rousseff, o presidente enviou a mensagem também em encontros com o setor empresarial, na cúpula e na reunião do Fórum de Altos Executivos, que reúne 20 presidentes de empresas de ambos os países.

"Quando os Estados Unidos olham para o Brasil, nós vemos a chance de vender mais bens e serviços para um mercado crescente de 200 milhões de consumidores. E para nós isso é uma estratégia de empregos. Quando nossas empresas enviam mais produtos para o Exterior, isso apóia os trabalhadores que fabricam e vendem esses produtos", disse Obama.

Acordos

Obama reiterou o interesse dos Estados Unidos no petróleo brasileiro, especialmente com as novas descobertas do pré-sal, e em projetos de infra-estrutura, às vésperas da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016.

“Nós queremos trabalhar com vocês. E quando vocês estiverem prontos para vender, nós queremos ser um dos seus principais consumidores", disse o presidente a respeito das descobertas de petróleo na camada do pré-sal.

O presidente viajou acompanhado de ministros da área econômica e de empresários.

Durante a visita, foram firmados diversos acordos bilaterais, entre eles o Tratado Cooperação Econômica e Comercial (Teca, na sigla em inglês), que cria um processo para negociar questões comerciais, e um acordo na área de transporte aéreo.

Desequilíbrio

Os esforços americanos para aumentar o comércio com o Brasil são parte de uma agressiva estratégia lançada por Obama, que pretende dobrar as exportações de seu país até 2014. No entanto, ocorrem também em um momento em que os Estados Unidos representam o pior déficit comercial da balança brasileira, de quase US$ 8 bilhões no ano passado.

No pronunciamento à imprensa que fez ao lado de Obama, após uma reunião no Palácio do Planalto, Dilma manifestou preocupação com "desequilíbrios econômicos" e disse que o Brasil quer relações "mais justas e equilibradas".

"Se queremos construir uma relação de maior profundidade é preciso também, com a mesma franqueza, tratar de nossas contradições. Preocupam-me em especial os efeitos agudos decorrentes dos desequilíbrios econômicos gerados pela crise recente", disse Dilma.

"Compreendemos o contexto do esforço empreendido por seu governo para a retomada da economia americana, algo tão importante para o mundo. Porém, todos sabem que medidas de grande vulto provocam mudanças importantes nas relações entre as moedas de todo o mundo”, afirmou a presidente.

“Este processo desgasta as boas prática econômicas e empurra países para ações protecionistas e defensivas de toda natureza", disse.

A presidente pediu o fim das barreiras aos produtos brasileiros, que muitas vezes sofrem restrições ao entrar nos Estados Unidos por meio de tarifas, barreiras não-tarifárias e cotas.

"Somos um país que se esforça por sair de anos de baixo desenvolvimento, por isso buscamos relações comerciais mais justas e equilibradas. Para nós é fundamental que sejam rompidas as barreiras que se erguem contra nossos produtos – etanol, carne bovina, algodão, suco de laranja, aço, por exemplo. Para nós é fundamental que se alarguem as parcerias tecnológicas e educacionais, portadoras de futuro", disse.

‘Day after’

Ao comentar o resultado da visita, o presidente da Câmara de Comércio Americana para o Brasil, Gabriel Rico, disse que o importante da visita é o “day after", ou seja, o que vai acontecer daqui para a frente.

Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, o aumento do comércio bilateral "não se dá em uma visita tão rápida", mas a passagem de Obama pelo Brasil pode criar o ambiente propício para isso.

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