Obama saúda avanços na América Latina, mas vê progresso desigual

Obama em discurso em Santiago Direito de imagem AP
Image caption Americano disse que continente deve ser reconhecido por 'dinamismo'

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, elogiou nesta segunda-feira, em Santiago, os avanços sociais, democráticos e econômicos na América Latina e disse que o mundo deve reconhecer o continente "pela região crescente e dinâmica que é".

Mas Obama ressaltou também que "o progresso nas Américas não chegou para muitos, que estão excluídos e querem as mesmas oportunidades".

O presidente americano citou "desigualdades" que persistem, apesar do progresso, a "corrupção que impede o desenvolvimento" e criticou líderes "que se aferram às suas ideologias para continuar no poder e que tentam silenciar seus opositores porque estes têm a audácia de exigir seus direitos universais". "Essas também são realidades que temos de enfrentar", acrescentou.

No Centro Cultural Palácio La Moneda, em discurso durante sua segunda escala em seu primeiro giro pela América Latina, Obama também comentou a situação em Cuba, dizendo que a ilha "tem direito à liberdade como todos os outros deste hemisfério".

O presidente americano está no Chile para uma visita de dois dias, após passagem por Brasília e Rio de Janeiro, onde fez um discurso ao povo brasileiro no Theatro Municipal. A próxima – e última parada – de Obama no continente é El Salvador.

"Em um momento em que as pessoas ao redor do mundo almejam liberdade, o Chile mostra que sim, é possível fazer uma transição de uma ditadura à democracia - e fazê-lo de forma pacífica", afirmou.

Brasil

Um dos principais temas do discurso de Obama foi o crescimento latino-americano e a possibilidade de uma relação mais estreita entre os Estados Unidos e a região. "Quando a América Latina é mais próspera, os Estados Unidos são mais prósperos também".

O Brasil foi citado diversas vezes, em temas como biocombustíveis e redução da pobreza.

"Países como Peru e Brasil estão tendo crescimento impressionante. Em toda a região, muitos saíram da pobreza, desde Guadalajara a São Paulo, e muitos entraram na classe média", afirmou o presidente americano.

"É essa a América Latina que vejo hoje: pujante e pronta para assumir um papel mais importante nos assuntos globais."

Leia também: Obama diz que Khadafi deve sair, mas prioridade é proteger civis

Obama também destacou a ajuda latino-americana ao Haiti e a "voz cada vez mais importante" internacionalmente de países como Brasil, Argentina e México. Mas citou, em contrapartida, "obrigações compartilhadas", como a necessidade de combater o narcotráfico.

Em entrevista à BBC Brasil, o chanceler chileno, Alfredo Moreno, disse que a escolha de Brasil, Chile e El Salvador para a visita do presidente americano foi "simbólica", por ocorrer em um momento em que as atenções se voltam às crises na Líbia e no Japão.

"Para o Chile, foi importante que ele fizesse o discurso da América Latina aqui. Além disso, houve um reconhecimento do desenvolvimento da região. Agora é preciso ter a força política para levar estes entendimentos para frente", acrescentou Moreno.

O ministro chileno disse ainda que o Brasil "merece outra posição no mundo" e "deve ter um assento permanente no Conselho de Segurança" da ONU.

Notícias relacionadas