Em novo dia de protestos, governo promete reformas na Síria

Daraa, terça-feira/Reuters Direito de imagem BBC World Service
Image caption Os protestos vêm ocorrendo diariamente desde a sexta-feira em Daraa

Em mais um dia de protestos contra o governo na Síria, uma representante do presidente Bashar Al-Assad disse nesta quinta-feira que as autoridades do país estudam adotar reformas, inclusive a suspensão do Estado de emergência que vigora desde 1963.

Em uma coletiva, a conselheira presidencial Buthaina Shaaban disse que o governo também cogita legalizar partidos políticos e adotar medidas para melhor o nível de vida da população.

Nesta quinta-feira, milhares de manifestantes realizaram protestos contra o governo na cidade de Deraa, no sul do país.

As novas manifestações ocorreram durante o funeral de pelo menos dez pessoas que morreram em confrontos com forças de segurança na cidade na quarta-feira.

Há relatos de que cerca de 20 mil pessoas compareceram aos funerais e de que houve detenções em massa. O governo isolou a cidade para conter os protestos.

Ativistas usaram sites de redes sociais para convocar uma outra grande manifestação para a sexta-feira.

Crianças

Segundo analistas, a onda de protestos em Deraa é um dos maiores desafios enfrentados por Assad desde que ele assumiu o governo, no ano 2000.

A crise atual começou na última sexta-feira quando moradores de Deraa protestaram contra a detenção de 15 crianças por aparentemente terem escrito frases contra o governo em um muro.

Na quarta-feira, as Forças de Segurança invadiram uma mesquita, alegando que esta estava sendo usada por gangues para estocar armas.

Em um comunicado, o governo disse que na mesquita havia “crianças raptadas que estariam sendo usadas como escudos humanos”.

Centenas de pessoas se reuniram na mesquita para impedir sua invasão. Os choques com forças de segurança aumentaram com o cair da tarde, após a chegada de mais pessoas de vilas próximas que foram à Deraa participar dos protestos.

Há relatos de que as Forças de Segurança dispararam indiscriminadamente contra a multidão.

Ativistas disponibilizaram uma lista de 45 pessoas que teriam morrido, mas a repórter da BBC em Damasco Lina Sinjab disse que o número de mortos é difícil de ser confirmado porque muitos feridos podem ter sido levados a hospitais de outras cidades.

A conselheira Buthaina Shaaban negou que Assad tenha ordenado que as forças de segurança atirassem nos manifestantes.

O governo tem atribuído os atos de violência a “desordeiros” que desejam espalhar o pânico entre a população e prometeu investigar as mortes.

A Síria vive sob estado de emergência desde 1963 e o governo não tolera dissidências.

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