Militares confirmam eleição e fim de estado de emergência no Egito

Porta-voz dos militares anuncia eleições Direito de imagem AFP
Image caption Militares dizem que ex-presidente Mubarak está em prisão domiciliar

O Conselho Militar Supremo que governa o Egito confirmou nesta segunda-feira que o país realizará eleições parlamentares em setembro e anunciou que as leis de emergência em vigor no país desde 1981 serão suspensas para a realização do pleito.

A eleição para o parlamento deve ser seguida de uma eleição para presidente, mas os militares não anunciaram quando esse outro pleito será realizado. Os militares também não revelaram quando, exatamente, o estado de emergência será suspenso.

As leis do estado de emergência dão poder quase ilimitado à polícia do país, que pode realizar detenções sem acusações formais.

O fim dessas leis era uma das reivindicações dos manifestantes egípcios que foram às ruas do país no mês passado, forçando a renúncia do presidente Hosni Mubarak, após quase 30 anos no poder.

Toque de recolher

Os anúncios desta segunda-feira se seguem a um referendo, realizado há pouco mais de uma semana, em que 77% dos eleitores egípcios apoiaram as reformas constitucionais que permitirão ao país ter eleições rapidamente. Foi a primeira vez que muitos egípcios compareceram às urnas.

O país está atualmente sendo governado por um Conselho militar de transição que prometera a realização de eleições.

Também nesta segunda-feira, o Conselho anunciou uma diminuição nas horas em que vigora um toque de recolher no país e emitiu um decreto que facilita a organização de partidos políticos.

No domingo, o secretário-geral da Liga Árabe, o egípcio Amr Moussa, anunciou sua candidatura ao pleito presidencial do país e disse preparar o lançamento de sua campanha.

Em entrevista ao canal privado egípcio Dream 2 TV, no último domingo, ele disse que, se eleito, só serviria um mandato presidencial.

Moussa nasceu em 1936 e fez carreira como diplomata, tendo sido representante permanente do Egito nas Nações Unidas. Ele também foi chanceler do Egito.

Questionado por ter sido parte do regime de Mubarak nos anos 1990, ele disse que o “colapso real (do governo) ocorreu na última década”.

Prisão domiciliar

As autoridades egípcias também informaram nesta segunda-feira que Mubarak se encontra em prisão domiciliar com sua família.

Um comunicado do Conselho Militar Supremo negou os relatos de que o ex-presidente tenha fugido à Arábia Saudita e disse que ele está impedido de deixar o Egito.

Além disso, os bens de Mubarak estão congelados.

Logo após deixar o poder, o ex-presidente viajou para o balneário de Sharm El-Sheikh, no Mar Vermelho, onde permaneceria até agora.

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