França e Grã-Bretanha pedem que rebeldes organizem transição na Líbia

Rebeldes observam incêndio no caminho para Sirte, cidade natal de Mumar Khadafi, na Líbia (Foto: AFP/Getty) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Rebeldes líbios avançam para Sirte, cidade natal de Muamar Khadafi

Os governos da França e da Grã-Bretanha emitiram nesta segunda-feira um comunicado conjunto em que pedem a saída imediata do líder da Líbia, Muamar Khadafi, e que os rebeldes líbios deem início à transição no país.

Na nota, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o primeiro-ministro britânico, David Cameron, dizem que, "nas palavras da resolução da Liga Árabe, o atual regime perdeu completamente sua legitimidade. Khadafi deve, portanto, deixar o poder imediatamente".

"Pedimos a todos os partidários dele (de Khadafi) que parem de apoiá-lo antes que seja tarde. Pedimos a todos os líbios que acreditam que Khadafi está levando a Líbia ao desastre a tomar a iniciativa agora para organizar um processo de transição."

Segundo Sarkozy e Cameron, a mudança na Líbia pode ser organizada pelo Conselho Nacional Interino de Transição (órgão formado pelos rebeldes, com sede na cidade de Benghazi), além de “líderes da sociedade civil” e “todos aqueles prontos para se juntar ao processo de transição para a democracia”.

"Nós os incentivamos a iniciar um diálogo político nacional, que levará a um processo de transição representativo, reforma constitucional e preparação para eleições livres e justas", disseram os líderes francês e britânico no comunicado.

Conferência

Desde fevereiro, rebeldes tentam por fim aos mais de 40 anos de Khadafi no poder. A retaliação do líder líbio foi violenta e levou a ONU a aprovar a criação de uma zona de exclusão aérea para proteger os civis do país.

Uma coalizão liderada pela Otan tem realizado bombardeios no país para impor o previsto na resolução. No domingo, a capital, Trípoli, foi atingida pelos bombardeios e, auxiliados pelo poderio aéreo da coalizão, os rebeldes vem conquistando várias cidades importantes que estavam sob o controle das forças de Khadafi.

Leia mais na BBC Brasil: Cidade natal de Khadafi é atacada, mas segue em poder do regime

Nesta terça-feira, representantes de vários países irão se reunir em Londres para uma conferência que vai discutir a situação da Líbia.

"Em Londres, nossos países vão se unir às Nações Unidas, à União Europeia, à União Africana, à Otan e à Liga Árabe para analisar como podemos fornecer ajuda urgente e dar apoio às necessidades do povo da Líbia no futuro", disseram Sarkozy e Cameron.

A declaração conjunta também deixou claro que o objetivo da coalizão não é a ocupação militar da Líbia.

"Uma solução duradoura só poderá ser a (solução) política que seja do povo líbio. Por isso o processo político que começará amanhã (terça-feira) em Londres é tão importante. A conferência de Londres vai unir a comunidade internacional no apoio ao fim da ditadura violenta na Líbia e para ajudar a criar as condições nas quais o povo da Líbia possa escolher seu futuro."

Rússia e Catar

Também nesta segunda-feira, o ministro do Exterior da Rússia, Sergei Lavrov, disse que parte dos ataques aéreos da coalizão contra as forças do governo líbio vão além do objetivo de proteger civis e equivalem a uma interferência em uma guerra civil.

Falando em Moscou, Lavrov disse que os ataques aéreos estão dando apoio à insurgência armada, algo que, segundo ele, não foi sancionado pela ONU. O próprio regime de Khadafi sustenta isso e diz que civis vêm sendo mortos nos ataques da coalizão.

Ainda nesta segunda-feira, o governo do Catar reconheceu o Conselho Nacional Líbio, organizado pelos rebeldes, como o representante legítimo do país.

Com isso, o Catar se tornou o segundo país depois da França, e a primeira nação árabe, a dar aos rebeldes o reconhecimento oficial.

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