Assad diz que derrotará 'complô' contra seu governo

Assad, durante seu discurso televisionado Direito de imagem AFP
Image caption Presidente diz que momento representa 'teste de unidade' à Síria

O presidente Bashar al-Assad disse nesta quarta-feira ao Parlamento que a Síria derrotará o que chamou de "complô" contra seu país.

Foi o primeiro pronunciamento público de Assad desde o início dos protestos contra seu governo, há duas semanas, e o discurso é visto como um teste da liderança do presidente sírio em meio à crise que se espalha pelos países árabes.

"A Síria é alvo de um grande complô vindo de fora, o ritmo, o formato, vem sendo acelerado", disse Assad, agregando que o momento apresenta um “teste para a unidade” do país.

Segundo ele, os manifestantes antigoverno foram "ludibriados" para sair às ruas por “inimigos” da Síria. Mais de 60 pessoas morreram em protestos violentos que começaram na cidade sulista de Deraa.

Era esperado que fosse anunciada a suspensão de um estado de emergência que vigora no país pelos últimos 50 anos, mas isso ainda não ocorreu.

Sob a lei de emergência em vigor, forças de segurança têm poderes de prisão e detenção sem necessidade de um mandato judicial.

Assad admitiu que “a maioria dos sírios quer reformas e têm demandas que não foram cumpridas”. Mas ele alega que a ausência de reformas foi “usada” como um pretexto para incitar a saída de manifestantes às ruas.

“A Síria não está isolada da região. Mas não somos uma cópia dos outros países. Somos pró-reforma. Essa é a obrigação do Estado. Mas não somos pró-conflito", disse o presidente, que saiu aplaudido do Parlamento. Não houve nenhum indicativo de quando as reformas serão implementadas.

Demissões

Na terça-feira, o gabinete do país pediu demissão e enormes multidões saíram às ruas para apoiar o presidente.

Havia relatos de que as manifestações tinham sido mobilizadas pelo governo. Integrantes de sindicatos controlados pelo partido governista Baath disseram que receberam ordens de participar dos comícios.

Um novo gabinete - que desempenhará o papel de implementar reformas - deve ser nomeado até o fim da semana.

O governo sírio estaria estudando o relaxamento de leis que governam a mídia e o sistema de partidos políticos, assim como o estabelecimento de leis anti-corrupção. Também é esperada a concessão de mais liberdades civis e políticas.

Os protestos se tornaram a maior ameaça ao regime de Assad, de 45, que substituiu seu pai Hafez, após sua morte em 2000.

A crise começou após a prisão de adolescentes que haviam pintado frases antigoverno em um muro na cidade de Deraa, e se espalhou rapidamente para outras províncias.