Após queixas, Israel diz ter recebido da Argentina garantias sobre atentados em Buenos Aires

Atentado à Amia, em 1994
Image caption Atentados em Buenos Aires em 1992 e 1994 deixaram 114 mortos

A Agência Judaica para Israel – um órgão do governo israelense cuja finalidade é facilitar a imigração de judeus para o país – informou nesta quinta-feira que a Argentina se comprometeu a continuar as investigações sobre atentados a alvos israelenses em Buenos Aires nos anos 1990.

O presidente da agência, Natan Sharansky, se reuniu em Buenos Aires com o chanceler argentino, Hector Timermam, e disse ter recebido garantias de que o país não arquivará o inquérito, como havia indicado uma reportagem publicada na imprensa argentina.

Sharansky acrescentou que o ministro das Relações Exteriores acalmou as inquietações do governo israelense em relação às investigações e expressou "seu profundo compromisso com o esclarecimento dos atentados", que mataram 114 pessoas.

Em 1992, uma bomba destruiu a Embaixada israelense na capital argentina, deixando 29 mortos. Dois anos depois, em julho de 1994, um carro-bomba explodiu do lado de fora do centro judaico-argentino Amia, matando 85 pessoas.

O governo argentino, Israel e os Estados Unidos culpam o Irã de planejar os atentados, que por sua teriam sido realizados pelo grupo xiita libanês Hezbollah.

<b>Mal-estar</b>

O tema voltou à tona após uma reportagem do diário <i>Perfil</i> que, no sábado, afirmou que o governo argentino estaria considerando suspender de fato as investigações sobre os atentados a fim de melhorar as relações comerciais com o Irã.

Leia também na BBC Brasil: Israel pede explicações à Argentina sobre suposta oferta ao Irã

Citando trocas de correspondências entre fontes diplomáticas iranianas, o jornal acusou Buenos Aires de buscar um “pacto secreto” com Teerã para relegar as investigações ao esquecimento.

A reportagem causou mal-estar e levantou especulações de que o governo israelense cancelaria uma visita do chanceler argentino a Jerusalém, marcada para os próximos dias 4 e 5.

Na quarta-feira, após o encontro, o presidente da agência israelense disse que a viagem do ministro argentino "continua de pé".

Um comunicado da chancelaria argentina confirmou o encontro entre o representante israelense e o ministro argentino, mas não mencionou as investigações do atentado.

O governo argentino não comentou a reportagem sobre a negociação com o Irã.

Natan Sharansky está em uma viagem pelos países sul-americanos até o dia 3. Ele já esteve no Brasil, Uruguai e Chile.

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