Premiê britânico faz apelo ao 'bom senso’ de aliados de Khadafi

Rebelde na Líbia/AP Direito de imagem BBC World Service
Image caption O premiê turco Erdogan disse ser contra armar rebeldes líbios

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, fez nesta quinta-feira um apelo ao ‘bom senso’ dos integrantes do regime líbio, um dia após a defecção do chanceler do país, Moussa Koussa.

"Moussa Koussa é uma das mais altas figuras do regime líbio, um regime sob pressão. Os seguidores de Khadafi precisam ouvir mais seu bom senso", disse ele.

Para Cameron, a deserção de Koussa, que chegou na quarta-feira em Londres vindo da Tunísia, sinaliza “desespero e medo bem no topo do regime de Khadafi, que está apodrecendo e caindo”.

Ao lado de Cameron, o premiê turco, Recep Tayyip Erdogan, disse ser contra o envio de armas para opositores das forças de Khadafi.

Tais envios, segundo Erdogan, “poderiam criar um ambiente que levaria ao terrorismo”.

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Sem imunidade

O chanceler britânico, William Hague, disse que não foi oferecida imunidade a Koussa.

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Acredita-se que a polícia escocesa tenha interesse em interrogar altos integrantes do governo líbio em relação ao ataque de Lockerbie, no qual centenas de pessoas morreram quando uma bomba explodiu em um avião da Pan Am, em 1988, atentado creditado ao governo da Líbia.

Um porta-voz do regime líbio disse que Moussa pediu afastamento por razões médicas e que "desde que chegou a Tunísia, um dia depois, não tivemos mais comunicações com ele".

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Image caption Koussa chegou em Londres na quarta-feira

"Entendemos que ele se desligou de sua posição, é uma decisão pessoal", afirmou o porta-voz Moussa Ibrahim.

"Somos sua família. Se ele estiver se sentindo melhor, o acolheremos de braços abertos."

Mortes de civis

Também nesta quinta-feira, o novo comandante das operações militares da Otan na Líbia, o canandense Charles Bouchard, disse que investigará as alegações de que bombardeios da entidade mataram cerca de 40 civis em Trípoli.

Um oficial do Vaticano em Trípoli, Giovanni Martinelli, disse que 40 civis foram mortos em ataques aéreos da coalizão à cidade em consequência do desmoronamento de um edifício atingido pelos ataques.

Bouchard disse que está "ciente desse relato” e que encara o assunto “com muita seriedade”.

Oficiais do governo líbio levaram jornalistas estrangeiros para lugares que alegam ter sido bombardeados pelas tropas da coalizão, mas os países envolvidos na ação militar dizem que não há evidências confirmadas da morte de civis.

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