Chanceler de Gbagbo diz ter negociado cessar-fogo na Costa do Marfim

Soldado leal a Ouattara Direito de imagem Reuters
Image caption Forças leais a Ouattara lançaram ofensiva na semana passada

O ministro do Exterior do governo da Costa do Marfim não-reconhecido pela ONU, Alcide Djedje, disse à BBC que chegou a um acordo de cessar-fogo após dias de confronto no país e que "a guerra acabou".

Djedje, que está na Embaixada francesa na principal cidade do país, Abdijan, representa Laurent Gbagbo, que se recusa a deixar a Presidência após ser derrotado nas últimas eleições por Alassane Ouattara, o presidente reconhecido internacionalmente.

A informação sobre o cessar-fogo ainda não foi confirmada por partidários de Ouattara e ainda não se sabe se Gbagbo teria concordado em deixar o poder.

De acordo com fontes da ONU e militares, Gbagbo estaria entrincheirado com sua família no porão da residência presidencial em Abidjan, que está cercada por tropas leais a Ouattara.

Um porta-voz de Gbagbo, Ahoua Don Mello, disse estar esperando por uma delegação da União Africana para que sejam realizadas negociações entre os dois lados.

Don Mello disse ainda que "as forças Republicanas (de Ouattara) não são uma grande preocupação agora, porque foram contidas pelo Exército Nacional (de Gbagbo). Mas estamos enfrentando um ataque do Exército francês com armamento pesado, aviões e por aí vai".

Residência presidencial

Mais cedo, forças leais a Alassane Ouattara afirmaram ter capturado a residência presidencial em Abidjan.

A informação não foi confirmada de forma independente. Um dos aliados de Gbagbo em Londres, Adbob George Bayeto, negou a captura do prédio e disse que se tratava "de propaganda" e "guerra psicológica".

Um porta-voz de Ouattara, entretanto, disse à BBC que Gbagbo foi visto na residência presidencial e que forças leais ao presidente eleito realizavam buscas no local na madrugada desta terça-feira.

Segundo Patrick Achi, se Gbagbo for capturado será “preso e levado à Justiça”.

Helicópteros da ONU e da França atacaram alvos próximos à residência presidencial. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que os ataques tinham como objetivo proteger civis e não eram uma declaração de guerra a Gbagbo.

Na manhã desta terça-feira, a cidade de Abidjan foi palco de novos disparos de armamentos pesados.

Segundo o correspondente da BBC em Abidjan Andrew Harding, a situação parecia caminhar para a deposição de Gbagbo.

Eleições

Laurent Gbagbo se recusa a deixar o poder apesar de os resultados das eleições de novembro, aprovados pela ONU, terem indicado sua derrota para Ouattara.

Logo após a divulgação dos resultados, o governo anulou o conteúdo de urnas no norte do país, afirmando que houve fraude, e declarou Gbagbo vencedor.

Desde então o país vem sendo palco de disputas intensas entre forças leais aos dois lados. A violência já deixou centenas de mortos.

Na semana passada, forças leais a Ouattara lançaram uma ofensiva militar para tentar retirar Gbagbo do poder.

A França, antigo poder colonial no país, mantém forças de paz na Costa do Marfim desde o fim da guerra civil, há uma década.

O comandante das forças de paz da ONU no país, Alain Le Roy, disse que a decisão do ataque na segunda-feira foi tomada com base em uma resolução do Conselho de Segurança da ONU que autoriza esse tipo de ação.

Segundo ele, a intensidade do uso de armamentos pelas forças de Gbagbo e os calibres das armas vinham aumentando fortemente nos últimos dias.

A missão da ONU no país também teria sido alvo de ataques contínuos, segundo ele.

A ONU anunciou ainda que enviará à Costa do Marfim um representante para investigar um massacre de centenas de civis na cidade de Duekoue, no oeste do país, na semana passada.

Simpatizantes de Ouattara e de Gbagbo se acusam mutuamente pelas mortes. Segundo o Comitê da Cruz Vermelha Internacional, pelo menos 800 pessoas teriam sido mortas.

Notícias relacionadas