Líder da Costa do Marfim está negociando rendição, diz França

Soldados leal a Ouattara em Abidjan (AP) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Forças leais a Ouattara lançaram ofensiva na semana passada

O primeiro-ministro da França, François Fillon, disse nesta terça-feira que dois generais próximos a Laurent Gbagbo, que se recusa a deixar a Presidência da Costa do Marfim, estariam negociando as condições para sua rendição.

"Estamos muito perto de convencê-lo a deixar o poder", afirmou o premiê ao Parlamento francês nesta terça-feira.

A ONU passou a não aceitar mais Gbagbo como presidente da Costa do Marfim depois da divulgação do resultado das eleições presidenciais de novembro passado, em que Alassane Ouattara foi reconhecido como o vencedor. Isso gerou uma grave crise no país africano, com confrontos entre as forças fieis a Gbagbo e a Ouattara.

De acordo com a ONU e militares, Gbagbo estaria na maior cidade do país, Abidjan, entrincheirado com sua família no porão da residência presidencial, que está cercada por tropas pró-Ouattara. A ONU também diz que assessores militares e civis de Gbagbo estão deixando de apoiar o líder.

Comandantes leais a Ouattara indicaram que só aceitarão a rendição de Gbagbo se ela for incondicional.

Recomendações

Um porta-voz de Gbagbo, Ahoua Don Mello, afirmou que estão ocorrendo "negociações diretas baseadas nas recomendações da União Africana, que afirmam que Alassane Ouattara é o presidente".

"Eles também estão negociando condições jurídicas e de segurança para Gbagbo e seus familiares", disse Don Mello.

O correspondente da BBC Andrew Harding, que está nos arredores de Abidjan, afirmou que a notícia da rendição estão circulando rapidamente pela cidade.

Harding conta que esta notícia não foi recebida com comemorações, mas com alívio, com as pessoas perguntando a razão de Gbagbo ter feito a população passar por todos os confrontos e destruição.

Segundo a emissora de rádio pública francesa Radio France, o chefe de gabinete de Gbagbo, Philippe Mangou, declarou que seus soldados pararam de lutar e exigiram o cessa-fogo com as forças da ONU no país.

E, de acordo com Mangou, o cessar-fogo deve garantir a segurança dos soldados, civis, Gbagbo e sua família.

"Exigimos que a ONU garanta que não haja pilhagem ou caça às bruxas", disse Mangou, segundo a Radio France.

Em um comunicado nesta terça-feira, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, voltou a insistir quanto à necessidade da saída imediata de Gbagbo “para acabar com a violência e evitar mais derramamento de sangue”.

“Cada dia que os confrontos persistem irá trazer mais sofrimento e adiará mais o futuro de paz e prosperidade para o povo de Cote d’Ivoire”, disse o líder americano, usando o nome francês, língua oficial marfinense, da nação africana.

Eleições

Na semana passada, forças leais a Ouattara lançaram uma ofensiva militar para tentar retirar Gbagbo do poder.

A França, antigo poder colonial no país, mantém forças de paz na Costa do Marfim desde o fim da guerra civil, há uma década.

Na segunda-feira, a ONU e a França bombardearam o complexo presidencial em Abidjan, depois que a missão das Nações Unidas no país foi submetida a ataques.

Segundo o comandante das forças de paz da ONU no país, Alain Le Roy, a decisão de lançar o ataque foi tomada com base em uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, que autoriza esse tipo de ação.

A violência das forças de Gbagbo vinha aumentando fortemente nos últimos dias, disse Le Roy.

A ONU anunciou ainda que enviará à Costa do Marfim um representante para investigar um massacre de centenas de civis na cidade de Duekoue, no oeste do país, na semana passada.

Simpatizantes de Ouattara e de Gbagbo se acusam mutuamente pelas mortes. Segundo o Comitê da Cruz Vermelha Internacional, pelo menos 800 pessoas teriam sido mortas.

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