Ativistas protestam contra perfurações da Petrobras na Nova Zelândia

Barco com ativistas do Greenpeace se aproxima do navio Orient Explorer Direito de imagem Greenpeace
Image caption Barco do Greenpeace enfrentou navio da Petrobras na segunda

Uma frota de cerca de 20 barcos de ativistas vem protestando há mais de uma semana na costa da Nova Zelândia contra os trabalhos de perfuração de poços de teste pela empresa brasileira Petrobras.

A Petrobras recebeu no ano passado do governo neozelandês a concessão para verificar a existência de gás natural e petróleo na Bacia de Raukumara, na costa nordeste do país.

A frota enfrentou na tarde desta segunda-feira o navio Orient Explorer, da empresa brasileira, que iniciou na semana passada os primeiros testes de perfuração na região.

Os ativistas reclamam dos potenciais perigos de contaminação ambiental em caso de vazamentos como o que ocorreu no ano passado em um poço da britânica BP no Golfo do México.

Em nota, a Petrobras diz que os trabalhos na Nova Zelândia não são de perfuração de poços, mas sim de levantamento sísmico. "O governo neozelandês promoveu uma licitação pública em janeiro de 2010, na qual a Petrobras adquiriu os direitos de um bloco da Bacia de Raukumara, na costa leste da Ilha do Norte. A primeira fase do projeto de prospecção envolve estudos sísmicos e geológicos que ajudarão a medir o potencial de hidrocarbonetos (gás e petróleo) na região", diz a companhia. Segundo a Petrobras, o estudo sísmico é uma operação "segura e simples,que consiste no levantamento de informações geológicas por meio da captação de sinais sonoros. Este trabalho de pesquisa está em conformidade com todos os princípios de segurança, meio ambiente e saúde, e atende à legislação internacional e às leis da Nova Zelândia". "A Petrobras ressalta que está comprometida em desenvolver ações de forma segura e integrada, valorizando as diversidades humanas e culturais, e promovendo a cidadania e respeito pelos direitos humanos em todos países onde atua", diz a empresa.

Sem confiança

Entre os grupos que participam do protesto estão aborígenes da região norte da Nova Zelândia, que temem a destruição dos recursos naturais dos quais dependem para sua subsistência.

“Não temos confiança nessa companhia ou no governo quando dizem que nenhum dano ocorrerá ao que nos é caro. Não queremos nenhuma exploração de petróleo ou perfurações nas nossas águas”, afirmou Dayle Takitimu da comunidade maori Te Whānau-ā-Apanui.

Segundo Steve Abel, porta-voz da ONG ambientalista Greenpeace, um barco do grupo enfrentou o Orient Explorer na tarde da segunda-feira e enviou uma mensagem exigindo a paralisação imediata dos testes na costa neozelandesa.

O capitão do navio da Petrobras teria confirmado o recebimento da mensagem, mas manteve os testes.

“É totalmente temerário que o governo tenha convidado esta indústria para nossas águas, arriscando um desastre que poderia devastar nossa costa e nossa economia”, afirmou Steve Abel, porta-voz do Greenpeace.

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