Acuado, Gbagbo diz que não deixa Presidência da Costa do Marfim

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Image caption O presidente Laurent Gbagbo, entrincheirado (Foto: AFP)

O presidente da Costa do Marfim, Laurent Gbagbo, disse que aceita negociar com o líder da oposição, Alassane Ouattara, mas não vai renunciar ao cargo.

Um dia após o governo francês informar que o líder marfinense estaria negociando a sua rendição, Gbagbo disse por telefone à TV francesa LCI que aceita uma recontagem dos votos das eleições presidenciais de novembro, nas quais o seu opositor tem sido reconhecido como vencedor pela comunidade internacional.

"Venci as eleições e não negocio nenhuma renúncia. Acho absolutamente incrível que o mundo esteja jogando este jogo de pôquer", disse.

O líder afirmou que está "atualmente discutindo as condições de um cessar-fogo com as forças em campo", mas que "no nível político nenhuma decisão foi alcançada".

Gbagbo se encontra em um bunker na residência presidencial, cercada por tropas leais a Ouattara, em Abidjan.

Na capital marfinense, o clima é de temor por um maior derramamento de sangue. O repórter da BBC na cidade, Andrew Harding, diz que houve troca de tiros esporádicas entre milícias pró e antigoverno. Muitos moradores estão temerosos e pequenos grupos têm deixado a cidade a pé.

Na semana passada, forças leais a Ouattara lançaram uma ofensiva militar para tentar retirar Gbagbo do poder e desde então o país está imerso em combates.

Diversos generais tiraram seu apoio ao atual presidente e pediram que suas tropas interrompam as operações.

Negociações

Na terça-feira, o primeiro-ministro da França, François Fillon, disse que dois generais próximos a Gbagbo estariam negociando as condições para sua rendição.

"Estamos muito perto de convencê-lo a deixar o poder", afirmou o premiê ao Parlamento francês.

Comandantes leais a Ouattara indicaram que só aceitarão a rendição de Gbagbo se ela for incondicional.

Um porta-voz de Gbagbo, Ahoua Don Mello, afirmou que estão ocorrendo "negociações diretas baseadas nas recomendações da União Africana, que afirmam que Alassane Ouattara é o presidente".

"Eles também estão negociando condições jurídicas e de segurança para Gbagbo e seus familiares", disse Don Mello.

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Image caption Forças leais a Ouattara lançaram ofensiva na semana passada

Em um comunicado na terça-feira, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, voltou a insistir na saída imediata de Gbagbo.

"Cada dia que os confrontos persistem irá trazer mais sofrimento e adiará mais o futuro de paz e prosperidade para o povo de Cote d’Ivoire", disse o líder americano, usando o nome do país em francês, língua oficial marfinense.

Eleições

Na segunda-feira, a ONU e a França bombardearam o complexo presidencial em Abidjan, depois que a missão das Nações Unidas no país foi submetida a ataques.

A França, antigo poder colonial no país, mantém forças de paz na Costa do Marfim desde o fim da guerra civil, há uma década.

Segundo o comandante das forças de paz da ONU no país, Alain Le Roy, a decisão de lançar o ataque foi tomada com base em uma resolução do Conselho de Segurança da ONU que autoriza esse tipo de ação.

A ONU anunciou ainda que enviará à Costa do Marfim um representante para investigar um massacre de centenas de civis na cidade de Duekoue, no oeste do país, na semana passada.

Simpatizantes de Ouattara e de Gbagbo se acusam mutuamente pelas mortes. Segundo o Comitê da Cruz Vermelha Internacional, pelo menos 800 pessoas teriam sido mortas.

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