Cidade do oeste líbio se torna 'prioridade' para a Otan, após críticas rebeldes

Rebeldes acampam em estrada entre Brega e Ajdabiya Direito de imagem Reuters (audio)
Image caption Impasse no confronto frusta rebeldes, diz correspondente

A Otan (aliança militar ocidental) colocou a cidade líbia de Misrata como sua prioridade e prometeu proteger os civis ali, depois de ter sido alvo de críticas dos rebeldes que combatem o regime do coronel Muamar Khadafi.

A cidade, o único grande bastião rebelde no oeste da Líbia, tem estado sob ataque constante das forças pró-Khadafi nos últimos dias.

Na terça-feira, o comandante rebelde Adbelfatah Yunis criticou a demora nos ataques aéreos promovidos pela Otan – que comanda a ofensiva internacional contra as tropas do regime – e disse que a aliança ocidental "está deixando o povo de Misrata morrer todos os dias".

Também disse que a cidade "deixará de existir" caso a Otan não aja.

O chanceler francês, Alain Juppé, disse que a situação em Misrata é “insustentável”, mas agregou que a Otan tem como prioridade evitar a morte de civis e que disso vem a restrição a alguns bombardeiros. “As tropas de Khadafi perceberam (a intenção da Otan de não alvejar civis) e, por isso, se aproximam dos civis.”

Segundo o correspondente da BBC na Líbia Jon Leyne, relatos de pessoas que fugiram de Misrata mostram um cenário caótico na cidade.

Um morador disse que a população de Misrata se sente "desprotegida pela comunidade internacional, apesar da resolução da ONU (que autorizou a ofensiva externa na Líbia)" e disse que a noite de terça foi de "ataques contínuos e de destruição" por parte das forças de Khadafi. Ele agregou que há dezenas de feridos, incluindo idosos e crianças.

Para despistar a Otan, as tropas de Khadafi preteriram os tanques e passaram a adotar veículos civis e táticas de franco-atiradores, que alvejam civis indiscriminadamente. Também esconderam seu armamento pesado em locais com grande presença de civis. O abastecimento de água e eletricidade foi cortado em Misrata.

Leyne explica que o impasse no confronto na cidade causa frustração entre os rebeldes, que tinham expectativas – possivelmente exageradas – de conseguir tomar o poder rapidamente após o início da ofensiva militar da coalizão internacional.

Ao mesmo tempo, o ministro da Defesa francês, Gerard Longuet, disse que Misrata receberá em breve provisões vindas de cidades do leste, sob proteção da artilharia aérea de tropas ocidentais.

A crise na Líbia forçou o chanceler William Hague, da Grã-Bretanha - também parte da coalizão internacional que promove ofensiva no país norte-africano -, a adiar sua visita ao Brasil, marcada para esta quinta.

Confrontos no leste

Os confrontos continuam também nas cidades de Brega e Ajdabiya (leste).

O correspondente da BBC Wyre Davies relata que as forças rebeldes tiveram que recuar para os arredores de Ajdabiya após fortes bombardeios dos aliados de Khadafi.

Menos armados e organizados que os soldados do regime, os rebeldes dificilmente conseguirão tomar Brega sem a ajuda dos ataques aéreos da Otan, agrega Davies.

Ao mesmo tempo, um navio-tanque grego ancorou na terça-feira no porto de Tobruk para retirar o primeiro carregamento de petróleo a ser exportado pelos rebeldes, que dominam a cidade.

A produção de petróleo do país, que é o terceiro maior exportador da África, está intermitente desde o início dos conflitos e foi interrompida após a intensificação dos combates e ataques da Otan.

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