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Parentes e amigos homenageiam vítimas na escola em Realengo

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Amigos, parentes, vizinhos e desconhecidos foram nesta sexta-feira à Escola Municipal Tasso da Silveira para homenagear as vítimas do ataque que matou 12 crianças no Bairro do Realengo, na zona oeste do Rio de Janeiro.

A escola amanheceu com 12 vasos de flores enfileirados ao longo de seu muro, abaixo dos nomes de cada uma das crianças mortas por um atirador na véspera.

Durante o dia, dezenas de pessoas compartilharam a dor sentida pelo ataque trazendo flores, cartas e bilhetes que foram sendo depositados no muro.

Morador de Realengo, o vendedor Alexandre de Souza, de 42 anos, se ajoelhou diante dos nomes para orar pelas vítimas.

Souza não conhecia as crianças, mas ele próprio estudou na escola aos 9 anos, em 1979, e tem uma filha de 14 anos – idade de três das meninas assassinadas pelo atirador Wellington Menezes de Oliveira, também ex-aluno da escola.

“Se tivesse sido com a minha filha, eu não ia aguentar estar aqui”, disse.

Comoção

A rua da escola estava interditada. Do lado de fora do cordão de isolamento se aglomeravam vizinhos e curiosos; os que entravam se dirigiam às flores e, quanto maior a ligação deles com as vítimas, mais demonstravam estar emocionados.

Debilitada, uma senhora chegou pela manhã e causou comoção pelo seu grau de desorientação. Só falava de sua neta, Ana Carolina Pacheco da Silva, a última a ter a morte anunciada na quinta-feira.

Idosa desorientada. Foto: Julia Dias Carneiro/BBC Brasil

A avó de Ana Carolina Pacheco ficou arrasada com a morte

“Carol, Carol, a vovó está aqui, minha filha”, dizia, e acenava para as janelas da escola fechada. “Não vou deixar o homem malvado matar você.”

“Carol, Carol! É a minha netinha, ela tem 13 aninhos, ela morreu com um tiro aqui na cabeça”, disse, chorando e apontando para a cabeça. Em seguida foi levada para casa amparada por uma agente da Guarda Municipal.

Padrinho de Ana Carolina, José Wilson Caxias de Lima, de 42 anos, foi à escola para pegar um ônibus disponibilizado para levar as pessoas ao velório das vítimas.

Os horários dos enterros programados para esta sexta-feira estavam relacionados numa lista pendurada no portão da escola, e ônibus e vans saíram do local para levar amigos e parentes.

“Eu e o pai dela passamos o dia ontem rodando tentando ter notícias dela. Só fomos encontrá-la de noite. Ele reconheceu seu corpo no IML (Instituto Médico Legal)”, conta.

Peritos

A escola passou a manhã interditada e recebeu peritos pela manhã, que recolheram documentos e analisaram os vestígios de sangue.

Mesmo fora da escola, nas calçadas em frente ou mesmo dobrando o quarteirão, havia manchas e respingos escurecidos do sangue das crianças mortas ou feridas.

Também nesta sexta-feira, o delegado Felipe Ettore, da Divisão de Homicídios do Rio, disse que o atirador fez pelo menos 60 disparos na escola. Ele portava dois revólveres, um cinturão e um carregador de munições.

Wellington, que atirou em crianças no primeiro e segundo andares da escola por volta das 8h30 de quinta-feira, se suicidou depois de ser atingido pela polícia.

Ele matou dez meninas e dois meninos de 12 a 14 anos, e deixou outras 12 crianças feridas. Do total de estudantes atingidos pelos disparos, 20 são meninas.

Amigos de Igor Moraes da Silva. Foto: Julia Dias Carneiro/BBC Brasil

Pedro e Daniel jogavam futebol com Igor da Silva, um dos mortos

A mãe de uma delas foi à escola pregar no muro uma placa sobre o nome da filha, Mariana Rocha de Souza, de 12 anos. “Aqui dorme uma princesa”, diz a placa, com o desenho de uma boneca sorridente.

Os amigos Pedro Costa, de 12 anos, e Daniel Braga, de 14, deixaram um bilhete ao lado das flores dedicadas ao amigo Igor Moraes da Silva, 13 anos, que chegou a ser levado ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos. O rapaz morava no mesmo condomínio que eles.

Mesmo estudando em outra escola, a dupla não quis ir à aula hoje. “Estamos muito abalados”, disse Daniel. “Ele levou um tiro porque voltou para ajudar um amigo.”

“Jogamos futebol com ele na quarta, e na quinta ele morreu”, disse Pedro. E leu parte do bilhete que prepararam para o amigo: “Igor, aqui embaixo todos nós estamos tristes, mas aí em cima Deus está feliz porque ganhou mais um amigo”.

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