Residência de líder marfinense é alvo de ofensiva da ONU e da França

Fmaça na residência de Gbagbo, alvo de ataques da ONU e da França Direito de imagem AFP
Image caption França atacou casa de Laurent Gbagbo com helicópteros

A ONU e a França iniciaram uma ofensiva contra a residência do líder Laurent Gbagbo, que se recusa a deixar o poder na Costa do Marfim.

O correspondente da BBC Mark Doyle, que está em Abidjan, principal cidade do país, relatou ter visto helicópteros militares franceses decolando, todos armados com foguetes. Pouco depois, eles atacaram alvos ao redor da residência de Gbagbo na cidade.

Um porta-voz de Gbagbo disse que a residência foi parcialmente destruída, mas não esclareceu se o líder permanecia no local.

Não foi possível confirmar o relato do porta-voz, mas Doyle diz que são exagerados os relatos de que a residência foi cercada por forças da oposição.

A justificativa da ONU para a ação é a tentativa de neutralizar o armamento pesado de Gbagbo, usado para atacar civis.

O major francês Frederic Daguillon disse à BBC que os helicópteros destruíram um “veículo blindado” de Gbagbo que teria atirado contra os helicópteros.

Segundo o oficial, o ataque francês foi uma retaliação a dois morteiros jogados pelos aliados de Gbagbo na embaixada da França, país do qual a Costa do Marfim foi uma colônia até 1960.

Eleição contestada

Gbagbo rejeita abandonar a Presidência na Costa do Marfim desde novembro, época das eleições presidenciais que tiveram seu opositor Alassane Ouattara como vencedor reconhecido pela comunidade internacional.

Gbagbo, que disputava a reeleição, alegou fraude e se autodeclarou vencedor.

Desde então, o país tem vivido confrontos entre simpatizantes dos dois lados e parece à beira da guerra civil.

Nos últimos dias, as forças aliadas de Gbagbo voltaram a ganhar terreno em Abidjan, após uma série de derrotas.

No sábado, os aliados de Gbagbo atacaram o hotel em Abidjan onde Ouattara está abrigado, sob a tutela da ONU.

A crise já forçou o deslocamento de mais de 1 milhão de pessoas na Costa do Marfim.

O clima é de medo em Abidjan, e, segundo Doyle, os moradores da cidade têm medo de deixar suas casas e só saem às ruas com as mãos sobre a cabeça, como proteção contra disparos a esmo e franco-atiradores.

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