Líderes africanos pedem trégua na Líbia, em meio a novos bombardeios

Tanque líbio alvejado pela Otan neste domingo (Foto: AP) Direito de imagem AP
Image caption Ação da Otan foi uma das mais fortes e atingiu 25 tanques de Khadafi

Em meio a novos bombardeios da Otan na Líbia, uma delegação de líderes africanos chegou ao país neste domingo para pedir um cessar-fogo nos conflitos no país.

O presidente sul-africano, Jacob Zuma, e outros quatro líderes do continente foram a Trípoli, representando a União Africana, para tentar negociar uma trégua entre as forças aliadas ao líder Muamar Khadafi e as tropas rebeldes, apoiadas pela Otan (aliança militar ocidental).

Segundo a delegação, o objetivo “é dar um fim à guerra (na Líbia) e encontrar uma solução adequada à crise”.

No entanto, o correspondente da BBC na Líbia Jon Leyne relata que nem os rebeldes nem o regime de Khadafi parecem dispostos a fazer concessões que levem a um cessar-fogo.

Em contrapartida, a recepção calorosa dada por Khadafi à delegação africana mostra que o líder líbio quer aproveitar a oportunidade para sair do isolamento em que se encontra desde o início dos protestos no país.

A delegação da União Africana vai se reunir nesta segunda-feira com representantes do governo interino estabelecido pelos rebeldes na cidade de Benghazi.

Batalhas

Enquanto se desenrolava a visita diplomática, os confrontos continuavam em partes da Líbia.

A Otan anunciou ter destruído 25 tanques das tropas de Khadafi, com bombardeios aéreos perto das cidades de Ajdabiya (leste) e Misrata (oeste), palco de alguns dos conflitos mais sangrentos dos últimos dias.

Segundo a aliança, o objetivo da ofensiva aérea era proteger os civis líbios, que estavam “encurralados de forma brutal” pelos tanques de Khadafi.

Jon Leyne relata que a ação é uma das mais fortes da Otan desde que a aliança assumiu o controle das operações internacionais na Líbia, há pouco mais de uma semana.

Em Ajdabiya, os confrontos foram intensos neste domingo. Testemunhas ouviam fortes explosões e avanço das forças aliadas do regime pelo oeste da cidade, que tem importância estratégica por ser a última parada antes de Benghazi, o principal reduto dos rebeldes.

Correspondentes da BBC relatam que, apesar do apoio aéreo da Otan, os rebeldes têm muito menos poder de fogo e sofisticação de combate do que as tropas governamentais.

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