Vítimas de Realengo têm ‘melhora clínica’

Cruzes colocadas na entrada da escola Tasso da Silveira Direito de imagem AP
Image caption Muro da escola será pintado em homenagem às vítimas

Algumas das vítimas da tragédia de Realengo (zona oeste do Rio de Janeiro) apresentaram “melhora clínica” neste domingo, segundo boletim da Secretaria estadual de Saúde e Defesa Civil divulgado à tarde. Duas crianças, porém, permanecem em estado grave.

As melhoras foram registradas em uma menina de 13 anos, atingida no abdome e na coluna, que “está lúcida, respira espontaneamente e seu quadro é estável”, e em um garoto de 12 anos atingido no abdome e na mão, que também respira sem a ajuda de aparelhos.

Já o menino de 13 anos baleado no olho direito segue em estado grave e sedado, respirando com a ajuda de aparelhos. Outro jovem de 14 anos ferido no abdome e na mão respira com a ajuda de aparelhos e está em estado grave, mas também apresentou melhoras e acorda quando é chamado.

Dez crianças permanecem internadas após serem atingidas, na última quinta-feira, pelo atirador Wellington Menezes de Oliveira na escola municipal Tasso da Silveira.

Menezes, ex-aluno da escola, disparou cerca de 50 vezes e atingiu 24 crianças. Doze delas morreram – dez meninas e dois meninos.

Limpeza e volta às aulas

Nesta segunda-feira, deve começar o trabalho de limpeza da escola de Realengo, informou o diretor do colégio, Luis Marduk, à Agência Brasil.

Ele relata que ainda há sangue nas paredes da escola, que ficará fechada por uma semana. As aulas devem recomeçar em 18 de abril, com um evento especial que deverá ter a participação de celebridades. O objetivo é diminuir o receio dos estudantes na volta para a escola.

“O nosso papel neste momento é encorajar as crianças, porque nós temos que reviver essa escola. Derrubar a escola não vai resolver o que aconteceu. A escola não é o espaço do medo, é o espaço da esperança, da criança, da paz”, afirmou o diretor.

O muro do colégio deve ser pintado em homenagem às vítimas da tragédia de quinta-feira.

Abraço simbólico e prisões

No sábado, centenas de alunos, ex-alunos, amigos e parentes das vítimas deram um abraço simbólico na escola, oraram e levaram cartazes pedindo segurança.

“A dor é muito difícil. Vizinhos, amigos de escola e outros pais ajudam a confortar nosso coração. Esse abraço que está sendo dado no colégio ajuda muito no conforto. Mas a dor não acaba nunca, vai continuar eternamente”, disse Carlos Maurício Pinto, pai de um menino morto no ataque, ao participar do ato.

A polícia do Rio prendeu dois homens suspeitos de terem vendido uma das armas usadas no crime.

O chaveiro Charleston Souza de Lucena e o desempregado Isaías de Souza confessaram terem vendido uma pistola de calibre 32 para o atirador. Eles dizem que Menezes de Oliveira justificou a compra dizendo que precisava se proteger.

Charleston conheceu o atirador ao trocar uma fechadura de sua casa e, segundo a polícia, intermediou a compra da pistola depois disso. A arma teria custado R$ 260.

Também segundo a Agência Brasil, os dois acusados têm filhos e disseram à polícia que jamais teriam vendido a arma se soubessem que ela teria sido usada num crime.

Ambos têm passagem pela polícia, por crimes como lesão e ameaça, e tiveram a prisão preventiva decretada por venda ilegal de arma.

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