Holofotes marcaram vida do príncipe William, que segue os passos da mãe

O príncipe William Direito de imagem AP
Image caption Segundo na linha de sucessão ao trono, William se casa no fim de abril

O príncipe William é o segundo na linha de sucessão ao trono britânico.

Em seguida a muita especulação, a família real anunciou, no ano passado, que o príncipe, então com 28 anos, se casaria com sua namorada de longa data, Kate Middleton.

Após o casamento - que será relizado em Londres - casal viverá no Norte de Gales, onde o príncipe serve junto à Força Aérea Britânica.

William Wales formou-se em setembro do ano passado como piloto de busca e resgate da Força Aérea, após um programa de 19 meses que ele descreveu como "desafiador".

O príncipe - que como monarca um dia será chefe das Forças Armadas - passará os próximos três anos no Vale da Força Aérea em Anglesey, pilotando em missões de resgate, potencialmente por toda a Grã-Bretanha.

A especialista em Monarquia Margaret Holder disse acreditar que o casamento dará a William o que ele verdadeiramente desejava - uma vida de família.

Acesso limitado da imprensa

Nascido William Arthur Philip Louis às 21h03m do dia 21 de junho de 1982, pesando cerca de 3 quilos, ele foi rapidamente apresentado ao público, em suas primeiras fotos oficiais.

O bebê William foi batizado pelo então arcebispo da Cantuária, Robert Runcie, no aniversário de 82 anos da rainha-mãe, no dia 4 de agosto de 1982, na Sala de Música do Palácio de Buckingham.

Ele foi para a creche Jane Mynors em Londres em setembro de 1985, e dois anos depois começou na escola Wetherby.

O príncipe passou depois a frequentar a escola Ludgrove em Berkshire, em setembro de 1990, onde ficou até entrar em Eton, em 1995. Em seus anos escolares, testemunhou o colapso do casamento de seus pais, seguido pela morte trágica de sua mãe em um acidente de carro em Paris, em 1997.

O príncipe Charles fez um acordo com a imprensa, que concordou em deixar os irmãos William e Harry em paz, em troca de acesso limitado à vida dos dois, através de eventos organizados pela monarquia, que quase sempre incluiam fotos.

William deixou Eton com notas A em geografia, biologia e história da arte.

Durante um ano sabático entre a escola e a universidade ele foi para as Ilhas Maurício, passou tempo na África, participou de trilhas com o Exército em Belize e trabalhou como voluntário da instituição Raleigh International, no Chile.

Mas foi, segundo ele, o tempo que passou trabalhando em uma fazenda de laticínios no sudoeste da Inglaterra quando ele mais se divertiu.

Foi como estudante de graduação na Universidade St Andrews em Fife, Escócia, que William conheceu Kate Middleton, e onde dividiu uma casa com ela.

Viagens solo

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Image caption Ainda criança, com a mãe, Diana, e o irmão, Harry (no colo)

Sua festa de aniversário de 21 anos - com o tema África, no Castelo de Windsor - foi ofuscada pela aparição do auto-denominado "terrorista da comédia" Aaron Barschak, que conseguiu entrar no local vestido de Osama bin Laden.

Em seguida ao tsunami que devastou países na Ásia em 2004, ele e Harry ajudaram a levantar £40 mil (quase R$ 103) para sobreviventes, jogando uma partida de pólo de caridade.

Os irmãos também trabalharam como voluntários em um centro da Cruz Vermelha, ajudando a montar pacotes de ajuda para sobreviventes.

Em 2005, William formou-se em geografia, o que o transformou em um dos membros da realeza mais bem sucedidos academicamente.

Ele então escolheu se juntar ao irmão Harry no treinamento militar na Academia Militar Real de Sandhurst.

Durante seu período em Sandhurst, William também participou de seus primeiros compromissos oficiais sozinho, participando de cerimônias em Wellington e Auckland em nome da rainha, para marcar o aniversário do fim da Segunda Guerra.

Em 2007 William e Kate se separaram por alguns meses, após seis anos sob intensa pressão da mídia.

No começo daquele ano, o secretário de imprensa da família real Dickie Arbiter disse que o assédio de fotógrafos a Kate era parecido com o sofrido pela mãe de William, a princesa Diana. Seus comentários foram feitos após uma onda de especulações sobre um noivado, perto do aniversário de 25 anos de Kate.

Um relatório apresentado ao Parlamento naquele ano afirmava que Kate estava sendo "cercada" pelos paparazzi e que a instituição que monitora a imprensa na Grã-Bretanha tinha levado muito tempo para protegê-la.

Dormindo na rua

William tornou-se patrono da ONG de apoio a crianças Centrepoint em 2005, seguindo os passos da mãe, que representava a instituição desde 1992. Em dezembro de 2009, ele passou uma noite dormindo nas ruas de Londres, como parte de um evento organizado pela caridade.

William dormiu em um saco de dormir perto da Ponte Blackfriars - embora cercado por um "pequeno contingente de segurança" - e disse depois que "sequer poderia tentar imaginar o que deve ser dormir nas ruas noite após noite".

Em 2010, ele partiu em sua primeira viagem oficial no exterior, representando a rainha, para Austrália e Nova Zelândia. Ele também é presidente da Associação de Futebol britânica, e se tornou patrono de várias outras instituições.

Dois dias depois do anúncio de seu noivado, o príncipe se juntou a tropas britânicas no Afeganistão, para marcar o dia oficial de memória aos mortos em guerras.

Houve muita compaixão em relação a William e seu irmão devido à morte de sua mãe, quando o príncipe tinha apenas 15 anos.

Image caption William caminha ao lado do tio, Charles Spencer, e do pai, o príncipe Charles

Muitos se lembram claramente de William caminhando no cortejo fúnebre no funeral realizado na Abadia de Westminster, em 1997, ao lado de Harry, de seu pai, seu avô e seu tio.

Desde que conheceu Kate, William se mostrou mais irritado com a atenção que ela recebia de fotógrafos, deixando claro, através de seus assessores que ele queria que ela fosse deixada em paz.

Com sua namorada agora sob os holofotes, na condição de futura esposa, o futuro rei pode estar imaginando se conseguirá algum dia se livrar da atenção da imprensa, que já moldou sua vida.