Líder contestado da Costa do Marfim é capturado

Laurent Gbagbo AFP Direito de imagem BBC World Service
Image caption Gbagbo estava refugiado há semanas em seu bunker

O líder marfinense Laurent Gbagbo, que se recusa a deixar a Presidência da Costa do Marfim, foi capturado nesta segunda-feira na residência presidencial da maior cidade do país, Abidjan, e estaria sob poder de opositores do regime.

Gbagbo se nega a entregar o poder a Alassane Outtara, considerado pela comunidade internacional o vencedor do pleito presidencial de novembro.

Não estão claras as circunstâncias da captura de Gbagbo.

Um de seus conselheiros disse que a prisão foi feita por forças especiais francesas, mas o porta-voz da missão da ONU na Costa do Marfim, Amadoune Touré, disse que foram os homens de Outtara que capturaram Gbagbo e sua esposa, Simone.

A informação de Touré foi confirmada por um canal de TV marfinense, leal a Outtara.

Ainda segundo o canal, Gbagbo teria sido levado ao hotel Golf, em Abidjan, local usado como sede das forças de Outtara.

Impasse

Em uma das primeiras reações internacionais à notícia, a secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, disse que “ditadores que se apegam ao poder sofrem consequências”.

Gbagbo e sua família estavam refugiados há dias em um bunker subterrâneo da residência presidencial.

O local vinha sendo atacado por tanques franceses e helicópteros da ONU.

Entenda a crise na Costa do Marfim

Tropas de paz da ONU acusaram as forças de Gbagbo de ameaçar a população civil do país e pediram ajuda às tropas francesas para combater as pesadas armas de Gbagbo.

A Costa do Marfim vivia um impasse político desde as eleições de novembro. Em março, forças de Outtara lançaram uma ofensiva a partir de seu reduto, no norte, e tomaram a maior parte da Costa do Marfim.

À medida em que suas forças foram se aproximando do reduto de Gbagbo em Abidjan, tropas da ONU e francesas passaram a combater as forças de Gbagbo.

Tentativas de negociar uma saída para a crise falharam na semana passada. Segundo a ONU, na sexta-feira as forças de Gbagbo voltaram a ganhar terreno em Abidjan, chegando a ameaçar o hotel Golf.

Mas, no domingo, helicópteros franceses e da ONU voltaram a atacaram a residência presidencial e, na segunda-feira, tanques franceses foram vistos entrando no local.

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