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Tropas de Ouattara patrulham ruas da maior cidade marfinense

AP

Tropas leais a Ouattara patrulham ruas da cidade de Abidjan

As ruas da maior cidade da Costa do Marfim, Abidjan, estão sendo patrulhadas pelas tropas leais a Allassane Ouattara, reconhecido internacionalmente como presidente eleito do país, após a captura de seu rival e presidente, Laurent Gbagbo.

Há relatos de que soldados e milicianos leais a Gbagbo se recusaram a entregar armas, causando temor de que assassinatos em represália à captura do presidente possam ocorrer.

Gbagbo se entregou nessa segunda-feira, após uma investida militar na residência presidencial, localizada em Abidjan.

O presidente vinha se negando a entregar o poder, por não aceitar a vitória de Ouattara na eleição presidencial de novembro. Esta recusa gerou uma grave crise na Costa do Marfim, com confrontos entre simpatizantes de Ouattara e Gbagbo.

Segundo o correspondente da BBC em Abidjan, Mark Doyle, tiros isolados podiam ser ouvidos nas ruas da cidade nesta terça-feira. No entanto, segundo ele, não é claro se as forças de Gbagbo são responsáveis pelos disparos.

Doyle afirma ainda que morteiros estão sendo disparados em Abidjan, e que a lei não está sendo aplicada na cidade, que praticamente não tem policiais nas ruas. Ambos os lados vêm sendo acusados de violar os direitos humanos.

Segurança

O repórter da BBC diz que a prioridade de Ouattara é restaurar a segurança.

Em um pronunciamento feito na TV nessa segunda, Ouattara afirmou que Gbagbo, sua mulher e seus "colaboradores" serão investigados por autoridades judiciais, mas que medidas serão adotadas para garantir a integridade física do ex-presidente.

Ouattara anunciou também que uma comissão de verdade e reconciliação será formada para documentar os crimes e violações contra os direitos humanos que ocorreram nos últimos meses.

De acordo com Doyle, vários moradores de Abidjan dizem ainda ter muito medo de sair de casa, sob risco de serem pegos por atiradores. Alguns residentes estão presos dentro de casa há vários dias devido ao conflito, segundo o correspondente.

Cerca de 1,5 mil pessoas já foram mortas desde o início dos confrontos, quatro meses atrás, enquanto aproximadamente 1 milhão de marfinenses tiveram de deixar as suas casas em todo o país, que é o maior produtor de cacau do planeta.

Forças das Nações Unidas e da França intervieram depois de acusar as tropas de Gbagbo de usar artilharia pesada contra civis.

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'Nova era'

As forças contrárias a Gbagbo consideram a captura do presidente o início de uma nova era na Costa do Marfim.

"A cabeça da cobra foi cortada", disse um soldado leal a Ouattara, sobre a captura do presidente, ao correspondente da BBC na Costa do Marfim Andrew Harding. "A milícia de Gbagbo simplemente desaparecerá agora. A guerra acabou."

"É ótimo", disse outro homem. "Nós estamos tão felizes e tão aliviados. A guerra está acabada agora."

No entanto, Harding acredita que o fim dos conflitos vai depender de como Ouattara lidará com a situação nos próximos dias, além dos sinais que ele mandará sobre o tratamento que pretende dar a Gbagbo e a seus apoiadores.

Clique Entenda a crise na Costa do Marfim

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