Ex-presidente será processado por 18 crimes na Tunísia

Foto de arquivo de protesto na Tunísia Direito de imagem Reuters (audio)
Image caption Manifestações populares levaram à queda de Ben Ali em janeiro

O Ministro da Justiça da Tunísia, Lazhar Karoui Chebbi, revelou que o governo pretende abrir processos contra o ex-presidente Zine Al-Abidine Ben Ali por 18 crimes diferentes, incluindo tráfico de drogas e homicídio doloso (com intenção de matar).

Ben Ali, que permaneceu no poder por 23 anos, deixou o cargo em janeiro depois de uma onda de protestos. Ele fugiu para a Arábia Saudita juntamente com familiares.

Numa entrevista transmitida pela TV estatal na quarta-feira, Chebbi afirmou que as 18 acusações fazem parte de um conjunto de 44 que também devem ser apresentadas contra a família de Bel Ali e seus ministros.

Quando foi Ben Ali deixou o poder, as autoridades disseram ter detido 33 membros de sua família acusados de desviar recursos do país.

Um mandado internacional de prisão contra Ben Ali já foi emitido.

Acusações

Esta é a primeira vez que as autoridades tunisianas revelam o total de acusações contra Ben Ali.

Chebbi disse que o país pediu à Interpol que congele os bens de Ben Ali e de sua família. Ele também afirmou que uma delegação seria enviada à sede da Interpol, em Lyon, na França, para tentar acelerar a execução da ordem de prisão.

Ben Ali é acusado de ter ordenado uma repressão à revolta popular que levou à sua saída, iniciada em dezembro. A ONU calcula em 219 os mortos durante os conflitos – incluindo 72 em prisões do país –, número bem superior ao confirmado por autoridades tunisianas.

Com a queda de Ben Ali, um novo governo foi indicado, e o serviço secreto de polícia foi dissolvido.

Correspondentes dizem que as autoridades tunisianas estão sob pressão para conquistar legitimidade perante os manifestantes que derrubaram o governo de Ben Ali.

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