Cuba estuda transformar ‘ajuda’ a países em ‘intercâmbio’

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Image caption Reformas na economia cubana devem ser discutidas no Congresso

Um dos principais temas a ser discutidos no Congresso do Partido Comunista Cubano que começa neste sábado é se Cuba modifica a política de fornecer "ajuda" profissional a outros países, substituindo-a por um programa de "intercâmbio".

Congressistas devem decidir se continuam com o "internacionalismo proletário" das últimas cinco décadas ou se investem mais na cooperação sul-sul, menos romântica, mas mais em sintonia com as necessidades econômicas do país.

Muitos acreditam que o pragmatismo econômico será imposto, desde que o líder Raul Castro não pode provar que o país pode gastar tanto.

Além disso, o custo político de tal gasto aumenta à medida em que a situação do cubano médio fica mais complicada.

Pode ser difícil explicar por que eles devem manter programas gratuitos no exterior ao mesmo tempo em que eliminam benefícios para os cidadãos de Cuba.

A institucionalização do conceito de "intercâmbio" ao invés de "ajuda" será uma das reformas discutidas no Congresso do Partido Comunista Cubano. O objetivo é estipular que nos casos em que Cuba não estiver tendo lucros, o país que receber a ajuda pague ao menos os custos da ajuda.

Ajuda

Desde o triunfo da Revolução Cubana de 1959, o país fornece ajuda a outras nações. No ano seguinte, o governo cubano enviava os primeiros médicos para a Argélia.

Por meio século, Havana distribuiu açucar, café, armas, hospitais, médicos e treinamento.

Um dos exemplos é o treinamento que os cubanos deram aos vietnamitas no cultivo cafeeiro.

Mesmo com a atividade dando prejuízo, isto permitiu ao governo cubano o estreitamento de laços políticos com nações como o Paquistão.

Intercâmbio

Trabalhadores cubanos que atuam no exterior se transformaram em uma das maiores fontes de receita para a economia do país.

Dezenas de milhares de cubanos trabalham em países em desenvolvimento, contratados por empresas estatais.

A maioria deles é da saúde, um luxo que Cuba pode se dar já que a ilha tem mais de 70 mil médicos. Mas há também milhares de professores, arquitetos, engenheiros e especialistas em informática.

O trabalho é o resultado de uma mudança na política externa cubana que estimula a ajuda em países em desenvolvimento e seria beneficial para quem acolhe estes profissionais, para Cuba e, segundo o governo, para os próprios trabalhadores.

Mas a política é criticada internacionalmente porque o governo fica com a maior parte dos pagamentos feitos por outros países.

Há cerca de 50 mil cubanos trabalhando em países em desenvolvimento, uma fatia pequena dos cerca de um milhão de graduados de Cuba.

Mas a receita gerada é tanta que o país paga o que gasta em combustível com ajuda médica à Venezuela.

Há cubanos trabalhando na Ásia, América Latina e África, onde há cerca de 3 mil profissionais atuando apenas em Angola, de acordo com dados do governo.

Desta forma, o governo cubano tenta transformar velhas alianças políticas em relacionamentos comerciais de sucesso. Assim há acordos importantes formados com Argélia, China e África do Sul, o país que mais paga por profissionais cubanos.

Críticas

Segundo o governo cubano, os EUA tentam bloquear o trabalho de profissionais cubanos no exterior ao oferecer a eles vistos com facilidade. Pelo menos 1,6 mil deles teriam aceito a oferta.

Como resposta, Cuba proibiu seu retorno ao país por toda a vida e o governo congela os bens de seus familiares por cinco anos.

Críticos questionam o fato de estes trabalhadores receberem apenas 20% do que geram por seu trabalho.

Mas o governo argumenta que os profissionais recebem benefícios importantes, como salários em moedas fortes, a possibilidade de comprar carros, casas e importar outros produtos para Cuba.

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