Investimentos internacionais em São Paulo dobraram em 2010, diz estudo

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Image caption No ranking, São Paulo está atrás de Pequim e à frente de Nova York

Um estudo divulgado nesta sexta-feira em Paris aponta que os investimentos internacionais em São Paulo mais que dobraram em 2010 em relação ao ano anterior, o que faz da capital paulista a metrópole que maior aumento registrou nesse quesito entre as 22 metrópoles analisadas.

O crescimento foi de 107%, e a cidade passou de 12º para 7º lugar no ranking mundial desse tipo de investimento, de acordo com o levantamento Observatório dos Investimentos Mundiais nas Principais Metrópoles do Mundo.

Realizado pela consultoria KPMG e pela agência Paris Ile-de-France Capital Econômica (ligada à Câmara de Comércio e Indústria da capital francesa), o estudo mostra que São Paulo é a metrópole que mais subiu no ranking.

A pesquisa, em sua segunda edição, classifica as metrópoles de acordo com a quantidade de investimentos internacionais que elas atraem, baseada em dados do jornal britânico Financial Times, que faz um levantamento mundial dos projetos de investimentos que criam empregos e têm valor agregado.

As três primeiras posições continuam sendo ocupadas por Londres (308 investimentos internacionais no ano passado), Xangai (290) e Hong Kong (225).

Com 126 investimentos internacionais no ano passado, São Paulo está logo atrás de Pequim e à frente de Nova York, Madri e Barcelona.

“A grande novidade é a presença de São Paulo na lista das dez principais cidades que atraíram investimentos internacionais”, disse à BBC Brasil Nicolas Beaudouin, diretor da KPMG em Paris e responsável pelo estudo.

Novo cenário

Segundo Beaudouin, “o estudo mostra claramente que há uma redistribuição das cartas após a crise econômica”.

“Há cidades afetadas pela crise econômica que desaparecem ou perdem posições no top ten deste ano”, afirma o diretor, se referindo a Tóquio, que não integra a lista das dez principais metrópoles em termos de investimentos, ou ainda a Madri e Barcelona, que recuaram na classificação.

Entre as cinco primeiras colocadas no ranking, três estão em países do grupo Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul): Xangai, Hong Kong e Moscou.

A capital russa também registrou grande aumento, de 80%, no número de investimentos, e subiu do 6º para o 4º lugar no ranking.

Xangai, em 2º lugar, teve um aumento de apenas 20%, mas continua tendo posição de destaque nos chamados projetos de funções estratégicas.

Paris, que ocupava o 4º lugar em 2009, passou para 5º no ano passado, com 170 investimentos.

No total, o número de investimentos internacionais caiu 3% no mundo, mas aumentou 14% nas 22 primeiras metrópoles do ranking, diz o estudo.

Pesquisas

A mudança em relação a São Paulo não diz respeito apenas a posições no ranking geral de investimentos internacionais. A cidade registrou avanços também em termos de investimentos em funções estratégicas das empresas, como centros de pesquisas e criações de sedes, de acordo com Beaudouin.

“Há cidades que podem ter uma boa classificação, mas receber investimentos apenas voltados para a produção ou com baixo valor agregado. Esse não é o caso de São Paulo, que está em um processo de dinamismo de uma grande metrópole”, afirma o diretor da KPMG.

De acordo com a pesquisa, São Paulo teve um aumento de 76% nos investimentos em “funções estratégicas” das empresas.

Com 51 investimentos desse tipo, a capital paulistana passou do 11º lugar para 6º nesse quesito. Houve também um aumento de 40% nos investimentos para a criação de sedes de empresas na cidade.

São Paulo também passou do 6º para o 4º lugar em relação aos investimentos para centros de pesquisas.

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