Multidões voltam às ruas da Síria para protestar contra o governo

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Image caption Manifestantes de origem curda protestam na cidade de Qamishli

Forças de segurança sírias usaram cassetetes e bombas de gás lacrimogêneo para dispersar milhares de manifestantes que se reuniram para protestar contra o governo do presidente Bashar al-Assad nas ruas de Damasco nesta sexta-feira.

Segundo testemunhas, os manifestantes de reuniram nos subúrbios da capital da Síria e foram atacados ao tentarem se aproximar do centro da cidade.

Além da capital Damasco, multidões protestaram nas cidades de Deraa, Latakia e Baniyas, entre outras.

Os manifestantes voltaram a pedir o fim das leis de emergência que vigoram no país há quase 50 anos. Líderes da oposição afirmam que mais de 200 pessoas já morreram desde o início dos protestos.

Autoridades sírias, no entanto, afirmam que as vítimas não são somente civis, mas também integrantes das forças de segurança. Representantes do governo culpam grupos armados pelas mortes no país.

Na última quinta-feira, o governo sírio anunciou a formação de um novo gabinete e a libertação de pessoas que haviam sido detidas em protestos anteriores, o que foi interpretado, segundo o repórter da BBC Owen Benett Jones, como uma tentativa de evitar novas manifestações.

Jones afirma que, desde o início dos protestos, um mês atrás, o governo tem alternado uma série de concessões à oposição com demonstrações de força, mas nada disso conseguiu deter as manifestações populares contra Assad.

Human Rights Watch

O grupo de defesa de direitos humanos Human Rights Watch afirmou nesta sexta-feira que os serviços de segurança e inteligência da Síria estão "detendo arbitrariamente", torturando e maltratando centenas de manifestantes em todo o país.

A entidade diz ainda que as forças do governo estão detendo advogados, ativistas e jornalistas que endossem ou promovam os protestos.

O Human Rights Watch exigiu que o governo de Damasco pare "imediatamente" com o uso de tortura e liberte os manifestantes, ativistas e jornalistas.

"O governo do presidente Bashar al-Assad deve ordenar investigações imediatas e imparciais sobre os graves abusos contra os detidos e garantir que todos os responsáveis sejam levados à Justiça", afirmou o grupo, em um comunicado.

Irã

Um representante do Ministério do Exterior sírio, citado pela agência estatal Sana, negou nesta sexta-feira que o governo iraniano esteja ajudando a frear os protestos, como foi indicado por um porta-voz da chancelaria americana.

"Se o Departamento de Estado americano tem provas disto, por que não as apresenta?", afirmou o representante sírio.

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