Agência rebaixa para 'negativa' perspectiva da dívida dos EUA

AFP
Image caption O deficit americano preocupa a agência Standard & Poor's

A agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P’s) rebaixou sua perspectiva da dívida dos Estados Unidos de "estável" para "negativa", lançando assim um alerta de que poderá mudar a classificação de crédito do país nos próximos dois anos.

Atualmente, os Estados Unidos têm classificação de crédito 'AAA', a mais alta, que significa que o país tem grande capacidade para cumprir seus compromissos financeiros.

O rebaixamento da perspectiva, anunciado nesta segunda-feira, reflete a preocupação com as dificuldades enfrentadas por democratas e republicanos em chegar a um acordo sobre um plano para reduzir o deficit do país, que já é de US$ 1,4 trilhão (cerca de R$ 2,2 trilhões).

"Nós acreditamos que há um risco material de que os congressistas americanos não cheguem a um acordo sobre como lidar com os desafios orçamentários de médio e longo prazo até 2013", diz um comunicado emitido pela agência.

"Se até lá um acordo não tiver sido alcançado e a implementação significativa (de medidas) não tiver começado, isso tornará, na nossa visão, o perfil fiscal dos Estados Unidos significativamente mais fraco que o de outros (países) soberanos (com classificação) 'AAA'."

Orçamento

A Casa Branca e a oposição republicana travam há meses uma batalha sobre o volume dos cortes necessários no orçamento para reduzir o deficit.

Na semana passada, após um acordo de última hora, o Congresso aprovou um plano de orçamento para o atual ano fiscal, até 30 de setembro, que prevê cortes de US$ 38,5 bilhões (cerca de R$ 61,5 bilhões) em gastos públicos.

No entanto, ainda não há perspectiva de acordo sobre o orçamento para o próximo ano fiscal, que começa em 1º de outubro.

Os republicanos, que controlam a Câmara dos Representantes (deputados federais), querem cortar US$ 6,2 trilhões (cerca de R$ 9,9 trilhões) em gastos do governo na próxima década.

Esse plano, porém, enfrenta oposição dos democratas, que comandam o Senado e defendem cortes menores.

Reação

A preocupação com o tamanho da dívida e do deficit dos Estados Unidos já havia sido manifestada na semana passada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

No relatório Fiscal Monitor, o FMI alerta que os Estados Unidos precisam "acelerar a adoção de medidas para reduzir seus coeficientes de endividamento".

"A maioria das economias avançadas está reduzindo seus deficits fiscais neste ano, mas os Estados Unidos deixaram em suspenso o reajuste”, diz o relatório.

Segundo o FMI, o tamanho do deficit americano gera instabilidade nos mercados financeiros globais.

Nesta segunda-feira, após o anúncio da S&P’s, as bolsas de valores registraram queda e o dólar se desvalorizou em relação ao euro.

Em resposta à decisão da S&P's, o Departamento do Tesouro americano disse que a agência subestimou a capacidade do governo de combater a dívida.

"A perspectiva negativa da S&P's subestima a capacidade dos líderes americanos de se unirem para lidar com os difíceis desafios fiscais enfrentados pela nação", disse o Tesouro.

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