Milhares fogem de violência pós-eleitoral no norte da Nigéria

AFP Direito de imagem BBC World Service
Image caption Protestos em Kano: onda de violência assusta o país

Milhares de pessoas estão fugindo da região norte da Nigéria, em meio à onda de violência que se seguiu à reeleição, no último sábado, do presidente Goodluck Jonathan.

Em algumas cidades, moradores dormiram em delegacias, por temerem por sua segurança. A Cruz Vermelha afirmou que há um número não confirmado de mortos e feridos na região.

O presidente reeleito pediu na noite de segunda-feira o fim da violência no país e impôs um toque de recolher de 24 horas.

Seu principal adversário nas eleições, o general Muhammadu Buhari, originário do norte do país, disse à BBC que a violência era "triste, indesejada e criminosa".

Algumas das pessoas por trás da onda de violência afirmam que houve fraude no pleito, mas o ex-líder militar disse que ele e seu partido nada têm a ver com os confrontos.

"Nas últimas 24 horas houve uma explosão de violência no país que inclui incêndios de igrejas", disse ele em nota. "Devo enfatizar que o que está acontecendo não é ético, religioso ou regional".

O presidente reeleito, originário do sul, foi declarado vencedor das eleições presidenciais do último sábado.

A comissão eleitoral afirmou que ele recebeu 57% dos votos - 22,5 milhões contra 12,2 milhões para o general Buhari. Observadores internacionais disseram que o pleito foi razoavelmente livre e justo.

Os episódios de violência no norte envolvem membros da oposição ao governo, segundo testemunhas. Pelo menos duas cidades nigerianas dessa região de maioria muçulmana, Kano e Kaduna, foram palco de confrontos entre as forças de segurança e simpatizantes do general Buhari.

Kano

Image caption O presidente reeleito, Goodluck Jonathan

De acordo com o repórter da BBC em Kano Mansur Liman, colunas de fumaça podiam ser vistas na noite de segunda-feira na cidade, a maior do norte da Nigéria, onde jovens queimavam pneus pelas ruas. Há relatos de que simpatizantes de Buhari atacaram prédios ligados ao partido de Jonathan, o Partido Democrático do Povo (PDP), em Kano e Kaduna.

A polícia pediu calma à população por meio da rádio estatal, mas também disparou gás lacrimogêneo em algumas áreas de Kano. Alunos de escolas locais foram mandados de volta para casa, enquanto vários estabelecimentos fecharam suas portas.

Segundo o repórter da BBC, há informações de que casas de políticos importantes, integrantes do partido de Jonathan, foram atacadas.

Em Kaduna, a polícia usou gás lacrimogêneo e balas de verdade para tentar dispersar outro protesto, segundo o repórter da BBC Abdullahi Kaura Abubakar.

Uma equipe de observadores da União Africana informou que esta eleição presidencial na Nigéria foi a menos tumultuada em décadas.

Enquanto as votações passadas foram marcadas por muita violência e fraudes, a votação de sábado parece ter sido mais tranquila. Eleitores de muitas regiões esperaram em longas filas, apesar do calor intenso.

A eleição foi realizada após uma série de cancelamentos por problemas de organização.

Goodluck Jonathan é o primeiro presidente vindo do Delta do Níger a ser eleito pelos nigerianos. Eleito vice-presidente em 2007, ele assumiu o poder em 2010, após a morte do presidente Umaru Yar'Adura.

Esta foi a terceira eleição nacional na Nigéria desde o fim do governo militar do país, em 1999. Desde então, a cena política é dominada pelo PDP.

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