Governo britânico vai enviar militares à Líbia, diz ministro

Campo de treinamento de rebeldes em Benghazi (AP) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Militares britânicos serão enviados para Benghazi

O governo da Grã-Bretanha anunciou nesta terça-feira que militares do país serão enviados à Líbia para prestar assistência a rebeldes que lutam contra forças do líder Muamar Khadafi.

O ministro das Relações Exteriores Britânico, William Hague, disse que o grupo será enviado para a cidade de Benghazi, quartel-general dos rebeldes.

Dez militares britânicos vão fornecer treinamento logístico e de inteligência como parte de uma operação conjunta entre Grã-Bretanha e França.

Hague destacou que os militares enviados à Líbia não vão se envolver em qualquer tipo de combate.

Quando o Conselho de Segurança da ONU aprovou a resolução sobre a Líbia, em março, ações terrestres de militares estrangeiros na Líbia foram descartadas.

"O Conselho de Segurança Nacional (da Grã-Bretanha) decidiu que agora vamos agir rapidamente para expandir a equipe que já está em Benghazi para incluir uma equipe adicional militar", afirmou Hague.

"Este contingente será formado por militares britânicos experientes", acrescentou o ministro.

O anúncio desta terça-feira ocorre em um momento em que a comunidade internacional teme que milhares de pessoas tenham morrido em um bombardeio de forças partidárias de Khadafi na cidade de Misrata.

A Grã-Bretanha já forneceu coletes à prova de balas e equipamentos de telecomunicações para ajudar os rebeldes líbios.

Na segunda-feira, o ministro britânico de Desenvolvimento Internacional, Andrew Mitchell, informou que a Grã-Bretanha vai fornecer 2 milhões de libras (mais de R$ 5 milhões) para ajudar a fuga de civis da cidade de Misrata, de barco.

Táticas imorais

O tenente-general canadense Charles Bouchard, chefe das operações da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na Líbia, afirma disse que as tropas de Khadafi estão empregando táticas "desleais e imorais" durante sua ofensiva em Misrata.

Segundo declarações de Bouchard à Canadian Broadcasting Corporation, forças partidárias de Khadafi se esconderam em hospitais e estão atirando contra civis dos telhados de mesquitas na cidade.

"As forças de Khadafi tiraram seus uniformes, estão se escondendo nos telhados de mesquitas, hospitais, escolas, é lá onde seu equipamento pesado está posicionado (...) e eles estão usando mulheres e crianças como escudos", afirmou o militar à Canadian Broadcasting Corporation (CBC).

"Então, quando as pessoas me perguntam 'por que vocês não estão fazendo algo?'. bem, eu não vou me rebaixar a este nível. Eu não vou usar o tipo de tática de guerra que ele está fazendo. O meu trabalho é ajudar a população", disse Bouchard.

Alimentos

O Programa Internacional de Alimentação começou a transportar carregamentos de alimentos através de um corredor que vai da Tunísia até cidades do oeste da Líbia.

O primeiro comboio, que seguiu por este corredor na segunda-feira, foi carregado com farinha e biscoitos energéticos em quantidade suficiente para alimentar 50 mil pessoas por mês.

No entanto, os alimentos não vão para a cidade de Misrata, que estaria em condições graves de falta de suprimentos.

A agência de refugiados da ONU informou que dez mil pessoas fugiram para a Tunísia, passando pelas Montanhas do Oeste, na Líbia, nos últimos dez dias.

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